O velho Doutor Homem, meu pai, acreditava que a velhice, aquela idade em que passamos do estado de cidadãos úteis a seres humanos tolerados, era um “termo de identidade e residência”, ou seja, não só proporcionava alguma tranquilidade como também indicava à morte o lugar onde teria de vir buscar-nos em chegando o dia. A estranha sabedoria da velhice não é o resumo de uma experiência acumulada, mas uma espécie de desinteresse em relação a coisas dispensáveis e que nos incomodaram ou entusiasmaram trinta anos antes. Com a velhice passamos a fixar-nos em coisas terrenas com o mesmo enlevo que antes dedicávamos a assuntos vagamente espirituais, como se estivéssemos finalmente convencidos de que o mais importante já não é a existência em si mesma, mas apenas a existência do dia seguinte; tudo o resto passa como um sopro. E é nestas coisas que pensamos.
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Achava que os rios eram interessantes consoante a temporada da lampreia ou da truta
Por sermos leais ao passado, não há escolha quando se trata de boa educação.
Era bom para peregrinos de Castro Laboreiro ou frades eremitas de Rendufe.
Não gostava de nêsperas e tinha um certo desprezo por legumes no prato, tratando-os como um apenso decorativo.
Os “portugueses de antigamente” tinham vícios muito contemporâneos e eram tão velhacos e tão impertinentes como os de hoje.
Nestes tempos em que o assunto das televisões é a geopolítica, a presença do Tio Albano seria bem vinda.
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