O velho Doutor Homem, meu pai, acreditava que a velhice, aquela idade em que passamos do estado de cidadãos úteis a seres humanos tolerados, era um “termo de identidade e residência”, ou seja, não só proporcionava alguma tranquilidade como também indicava à morte o lugar onde teria de vir buscar-nos em chegando o dia. A estranha sabedoria da velhice não é o resumo de uma experiência acumulada, mas uma espécie de desinteresse em relação a coisas dispensáveis e que nos incomodaram ou entusiasmaram trinta anos antes. Com a velhice passamos a fixar-nos em coisas terrenas com o mesmo enlevo que antes dedicávamos a assuntos vagamente espirituais, como se estivéssemos finalmente convencidos de que o mais importante já não é a existência em si mesma, mas apenas a existência do dia seguinte; tudo o resto passa como um sopro. E é nestas coisas que pensamos.
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A minha sobrinha Maria Luísa, a eleitora esquerdista da família, é uma das aristocratas do lugar.
"Às vezes pede para mudar de canal, mas é o mesmo em todos”
Estávamos, todos, a precisar daquela beleza num país zangado consigo mesmo.
Não gostava do Generalíssimo como não gostava do dr. Salazar, o que várias vezes se apresentou ser um problema para a família
A olhar o nevoeiro entre as agulhas dos pinhais.
A mesma Pátria chorosa volta a não ler o escritor tão amado que durante dois dias foi o mais folheado dos seres humanos
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