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Francisco José Viegas

Francisco José Viegas

Escritor

Blog

02 de outubro de 2026 às 00:30

O leitor por vezes é fascista, reconheça. Diz uma coisinha e acende-se uma luz: és um bocadito fascista. Este podia ser o tom de abertura de ‘Um Pormenor Sinistro no Uso da Palavra Fascismo’ (Livros Zigurate), um pequeno livro de Santiago Gerchunoff, um editor argentino de Buenos Aires que há bastantes anos vive em Madrid, onde é professor de Teoria Política. A ideia é que o uso da palavra “fascista” se banalizou e é muito mais um recurso “emocional” (mais do que “emotivo”) do que uma designação propriamente dita, recordando a história de Pedro e o lobo: de tantas vezes repetida, a ameaça leva ao descrédito. O uso excessivo da ameaça do fascismo é um dos pecados da chamada “história profética” – ou seja, da utilização da história não para explicar o passado mas um moralismo puramente defensivo que trata de condicionar a leitura do futuro; no caso do uso da palavra “fascismo”, ele faz esquecer que a barbárie tecnológica atual, por exemplo, talvez seja mais ameaçadora e grave do que a própria barbárie fascista.

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