Quando, em 2009, estreou o sexto filme da série Harry Potter, o Vaticano – que até então tinha sido severo, tal como o Irão, acerca da personagem e dos enredos da série de livros e filmes – deu-lhe a bênção através do seu jornal oficial, o ‘Osservatore Romano’, relembrando, mesmo assim, que faltaria uma alusão “ao transcendente”; as autoridades religiosas têm dificuldade em lidar com o fantástico, da mesma forma que algumas pessoas lidam mal com o humor ou a ironia. Harry Potter não é literatura grandiosa e solene – é pura invenção adolescente, e tenho alguma ternura por J.K. Rowling (por ter sido capaz de inventar aquela galeria de personagens e por ter nascido como uma autora desconhecida, sem selo literário). Como as famílias e ‘a sociedade’ desistiram de dar educação religiosa aos seus filhos, as lendas de Harry Potter, como as de ‘O Senhor dos Anéis’ (de J.R.R. Tolkien), substituem as sagas fundadoras tradicionais – elas são a alusão ‘ao transcendente’ e provam que um mundo sem ele é apenas um deserto sem alegria. O Vaticano deu a mão à palmatória.
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