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Carlos Anjos

Carlos Anjos

Presidente da Comissão de Proteção de Vítimas de Crimes

Novos mecenas

01 de outubro de 2026 às 00:30

Numa altura em que atestar o depósito é cada vez mais difícil, surge um benfeitor inesperado: o narcotráfico. Segundo uma notícia do CM, desde janeiro, a GNR e a Polícia Marítima já apreenderam cerca de 257 mil litros de combustível destinados às narcolanchas, que com o aval do Ministério Público, está agora a encher os depósitos de viaturas de corporações de bombeiros e das polícias. Este é um modelo de negócio curioso: os traficantes compram, armazenam e transportam, e no fim quem utiliza esse combustível é o Estado social. Nem o mais criativo dos ministros das Finanças se lembraria de uma parceria público-privada destas, sem concurso, sem derrapagens, sem contrapartidas e sem estar condicionado pelo preço do “Brent”. Há quem sugira no mínimo, uma dedução em IRS por donativo à proteção civil. Convém, porém, moderar o entusiasmo: os policias que hoje circulam com gasolina oferecida, são os mesmos que amanhã vão à procura de quem a pagou. E essa visita, ao contrário do combustível, não vai vir com desconto. Mas para os puristas, aqueles que criticaram a utilização de viaturas apreendidas, pela PJ e por vários cargos de Estado ainda não se pronunciaram sobre esta parceria público-privada e talvez venham criticá-la em virtude de o processo ainda não ter transitado em julgado.

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