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Eduardo Caetano Sousa

Coronel

Amargo e doce

20 de junho de 2026 às 00:30

O “Memorando de Entendimento” entre os EUA e o Irão é bom para a paz e para a economia global do Mundo. Por isso merece ser louvado. E pode até ser um bom presságio para os destinos da guerra na Ucrânia. Mas não deixa de ser um “entendimento” amargo e doce para todos os intervenientes, pesem as “narrativas de glória” evocadas nesta ocasião. Os EUA não venceram esta guerra de forma clara e convincente. Partiram com uma ambição estratégica sempre confusa nos objetivos a atingir, uma postura e uma liderança demasiado errática, em especial do Presidente Donald Trump. Uma batalha operacional com contornos indefinidos e pouco esclarecidos. A oposição democrática ao regime iraniano, tão desejada, nunca apareceu. Restam as expetativas para o fim do nuclear ofensivo. O Irão, se bem que muito enfraquecido, mantém as ambições expansionistas na região. Os Estados Árabes do Golfo, porque não confiam no Irão, vão ter de protagonizar alianças regionais para a sua autodefesa. Para Israel este acordo é igualmente amargo e doce. Ao não se rever nele, fica com as mãos livres para executar uma política de alargamento da sua zona de segurança defensiva, no Líbano, na Síria e em Gaza.

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