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D. Américo Aguiar

Citius, Altius, Fortius

11 de agosto de 2024 às 00:30

Os Jogos Olímpicos fazem parte do imaginário da minha infância e juventude. Graças à televisão, conseguíamos acompanhar aqueles que sabíamos serem os melhores do mundo e assistíamos quase suspensos às provas de ginástica, de natação, aos saltos, às corridas; víamos a entrada das bandeiras e cantávamos o hino, de pé, quando a bandeira de Portugal subia no pódio; e quantas vezes não li a aventura do pequeno gaulês, invencível graças à poção mágica, nuns jogos olímpicos aos quadradinhos… Mais tarde, já adulto, a dimensão da concórdia que está subjacente aos jogos, a superação dos atletas, o trabalho em equipa a que todos assistimos, tornaram os Jogos Olímpicos uma referência enquanto possibilidade de união entre os povos, como se tratasse de um tempo de tréguas. Mas com os anos, fui perdendo o interesse pelos Jogos, que precisam de tempo e atenção. No entanto fui sempre acompanhando os portugueses, que durante os últimos anos se destacaram nas modalidades mais “económicas” – conheço bem a realidade dos corredores, que treinam nas nossas estradas, muitas vezes depois de cumprir os seus horários de trabalho… a nossa Grande Rosa Mota, o Carlos Lopes, o Nelson Évora… entre muitos outros. Sei que participamos nos Jogos Olímpicos desde 1912, em Estocolmo, assim como fizeram história as 24 medalhas que os nossos atletas já trouxeram para Portugal, das quais quatro de ouro, oito de prata e 12 de bronze. A edição deste ano, em Paris e que termina hoje, dia 11 de agosto, ganhou a dimensão da proximidade e foi com expectativa que acompanhámos os nossos atletas, que partiram cheios de sonhos e vontade de vencer. A cerimónia da abertura dos Jogos Olímpicos de Paris deixou-nos surpreendidos pela sua espetacularidade, mas também pela polémica que a todos nos entristeceu, pelo desrespeito que significou. Ultrapassam-se marcas e recordes pessoais e faz-se história entre palmas e lágrimas. Que Deus abençoe todos os nossos atletas, os seus treinadores e famílias. Temos de investir, insistir, apoiar, cuidar todos os atletas olímpicos até aos próximos Jogos Olímpicos e não apenas nestas semanas. Como nos pedia o Papa Francisco, que o espírito olímpico possa ajudar todos os povos na conquista da paz. Já agora lembrar que o lema olímpico “Citius, Altius, Fortius”, significa “mais rápido, mais alto, mais forte”, foi introduzido nos Jogos Olímpicos de Verão de 1924, em Paris, e foi inspirado por um padre católico.

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