Nada de bom se prevê sob a governação de Donald Trump, que começa, oficialmente, depois de amanhã. Os mais qualificados comentadores americanos, e não só, adivinham sobressaltos, e algumas das declarações do nomeado presidente são de modo a inquietar as pessoas de bem. Mas a elevação de Trump junta-se às inquietações que nos dominam e preocupam.
O Daesh e as guerras nascidas daquela organização, os êxodos provocados pelas necessidades de fuga e de medo, os balanços sistemáticos em quase todo o mundo capitalista, o desacerto entre o imperioso e o provisório transformaram o nosso tempo numa espécie de crisol do inferno, em que se não vê o mais ténue sinal de esperança.
A Europa está a desfazer-se, e as tradicionais alianças e compromissos sociais desfazem-se com rapidez inaudita. A própria ideia de União Europeia (UE) não faz sentido, a atentar em que o proveito maior dessa aliança torcida e medíocre vai para a Alemanha. Por sua vez, Angela Merkel sofre contestações dos países que a têm apoiado e sustentado e a pressão quase insuportável da extrema-direita.
A França decaiu com a insuportável e abstrusa sobranceria do medíocre François Hollande, que já revelou não se recandidatar. A Itália, a Espanha e a Holanda decaem pelo silêncio ou pela ascensão de dirigentes menores. Com a subida ao poder de Trump, e a dar fé às suas declarações, não parece que, nos próximos tempos, o mundo poderá respirar sem medo.
No entanto, e apesar dos perigos que nos ameaçam, é preciso resistir à melancolia do medo e combater a permanente ameaça de mediocridade que parece ter assaltado a Europa.
A UE é uma falácia monumental, que colocou no poder a senhora Merkel, fixou limites à democracia e pôs de joelhos dirigentes europeus que se subordinaram (caso Passos Coelho), reduzindo os seus países a tristes simulacros de independência. Quem nos acode?
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