Não devemos passar ao lado das palavras de Donald Trump. Tudo o que ele diz ou faz concerne directamente a todos nós. Os portugueses não podem julgar-se a salvo: vivem sob a ameaça constante de um indivíduo muito mal preparado, que dispõe de um poder quase desmedido e com considerável apoio da indústria armamentista. Ao rasgar muita da documentação proposta por Barack Obama, ele expôs, com o apoio da indústria armamentista, mais do que em outra ocasião, ao que vem e o que deseja.
O perigo que o mundo corre é imenso e a sua concretização aterradora. Não é de estranhar que nas cerimónias da sua posse as ausências fossem significativas. Um pouco por todo o lado, inclusive nos Estados Unidos, os imensos protestos carregam a indignação de uma ferida não cicatrizada. Na memória colectiva ainda está a questão Khadafi e a miséria do julgamento de Sadaam, cujos responsáveis passam impunes à justiça comum.
O conceito de justiça tem sido muito maltratado nos últimos e trágicos tempos que temos vivido. O dinheiro de Trump e o descaso das pessoas não chegam, apesar de tudo, inclusive das omissões criminosas, para que a esponja do esquecimento apague tudo. Recordo a miséria da prisão de Sadaam, articulada numa mentira tenebrosa, e a captura de Khadafi, para reavivar a ideia de que o silêncio equivale a uma cumplicidade sem nome. A ascensão de Donald Trump não é um descaso: é uma cilada montada, destinada a avisar quem manda no mundo.
É surpreendente, ou não o será, de todo, que a Imprensa e as televisões portuguesas tenham mascarado com o descaso a situação em que vivemos. A ascensão de Trump ao poder mais elevado do mundo merece uma permanente atenção ao menor dos seus gestos e ao aparente mais inócuo dos discursos. Tudo o que ele faz ou diz possui uma componente secreta, que pode conduzir o universo a uma situação sem regresso. E perigosíssima.
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