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Orlando Afonso

Manipular

13 de julho de 2019 às 00:30

Desde os fins da década de 90 tem-se vindo a assistir, para além das perdas de autoridade, a uma contínua degradação de estatuto socioeconómico da judicatura, para a qual se tem vindo a conjugar diversos factores (nos quais não há que incluir a crise económica do país): massificação das profissões judiciárias; perda de consciência do valor simbólico da Justiça e do seu lugar e papel numa sociedade democrática; deslegitimação do poder judicial, o qual, no entender do poder económico e político, deve ser composto por um conjunto de funcionários (neles incluídos os juízes) que exercem um serviço público como exercício por quaisquer outros adstritos às diferentes repartições do Estado; adopção da concepção neoliberal de que a importância social e política reside apenas nos agentes que exercem funções ou desempenham actividades (privadas) de alto relevo económico, sendo o poder político e poder judicial simples servidores de interesses meramente financeiros; intoxicação da opinião pública, de que os juízes têm salários altamente elevados; obnubilação da opinião pública dos altos vencimentos e demais compensações auferidos por determinadas pessoas; manipulação dos sentimentos de inveja ou de indignação em franjas de população menos esclarecida.

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