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Francisco Moita Flores

Prendas felizes

O consumismo é a ideologia do amor que está embrulhado em papel de fantasia.

Francisco Moita Flores 24 de Dezembro de 2017 às 00:31
Nestes dias, os hipermercados estão a abarrotar de gente. As perfumarias regurgitam pessoas. Nas livrarias existe alguma animação. Porém, nas lojas de computadores, telemóveis e ‘playstations’ não há mãos a medir. Os jantares de empresas e de serviços multiplicam-se.

As discotecas, atafulhadas, não dão mãos a medir aos seguranças privados que usam as próprias mãos como armas para suster a multidão. As filas de trânsito tornam-no intransitável. Há um mar de gente a correr para comprar a prenda de última hora. As redes sociais trepidam.

Os afetos tornaram-se tecnológicos. Poupa tempo onde já não há tempo para uma palavra ou um abraço. Fervilham sms’s. Uma aplicação simples. Escreve-se uma frase generalista com votos de boas festas e dispara-se para todos os telemóveis da agenda.

O Whatsapp não tem tréguas. Escrevem-se em silêncio palavras que não há tempo para dizer. E os Pais Natais, espalhados pelos grandes centros de compras, estão fartos de tirar selfies. Multiplicam-se as Árvores de Natal. Apenas porque os putos ainda gostam de luzinhas e minguam os presépios.

O Menino Jesus de outros tempos, assustado com a correria de gentes em desvario, fugiu para o Céu. Os sinos das igrejas ainda repicam à meia-noite anunciando a Natividade. Sem grande efeito.

A confusão de papel a desembrulhar presentes é bem mais sonora e não há tempo para ouvir o Galo. Trocam-se emojis e há pressa para meter a última foto no Instagram.

O Tweet não parou e o Facebook divulga os mais belos postais de Natal e frases feitas que saúdam da quadra festiva. As emoções crepitam. O consumismo é a ideologia do amor embrulhado em papel de fantasia e o Natal ficou reduzido à poeira do efémero.

Ainda resisto. Antes que o vendaval sôfrego de prendas me arraste, quero desejar-lhe, caro leitor, um Santo Natal!

Ofereço-lhe um abraço fraterno adquirido no piso mais terreno do coração.
Francisco Moita Flores opinião
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