Um candidato ao Tribunal Constitucional foi chumbado pelos seus pares. Nenhum drama: as suas opiniões sobre a ‘fecundidade’ das mulheres violadas e a propensão dos funcionários judiciais para o suborno são absurdas e repulsivas. Mas, nas costas deste caso, surgiu a dúvida: alguém que seja simplesmente contrário à despenalização do aborto tem lugar no Tribunal Constitucional?
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Em Portugal, nada é mais difícil do que o humor. A realidade vem sempre coberta por uma mortalha absurda que derrota qualquer concorrência.
Foi preciso muito detergente, nas revisões posteriores, para limpar estas manchas.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Basta uma temporada longe do poder para que a desafinação se instale.
Pedro Passos Coelho quer reformas – e empurra o governo para os braços do Chega.
O PS já percebeu que pode esticar a corda sem risco e ameaça ‘rupturas’ dramáticas se não lhe reservarem um lugar no Tribunal Constitucional.
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