No dia 28 de abril, Portugal sofreu um apagão total na rede de energia elétrica. Independentemente da causa, aconteceu, foi real. A arquitetura da rede, defendem alguns especialistas, é frágil e muito vulnerável. Perante este pressuposto, o que temos feito para mitigar e nos prepararmos para eventos desta magnitude?
Baseando-me apenas em dois factos, verificamos que temos feito muito pouco. Primeiro o governo demorou a reagir, a comunicação foi politicamente disruptiva, várias comunicações desconcertadas, sem conteúdo, demonstrando pouco conhecimento do que se estava passar, aumentando a sensação de incerteza para a população em geral. Segundo a população, mais uma vez demonstrou ausência de cultura de segurança e grande impreparação, com uma corrida aos supermercados de forma irracional, revelando comportamentos primários, na minha opinião originados pelo medo, falta de informação institucional credível e agravado pela desinformação das redes sociais.
Em poucas horas já havia sinais de constrangimentos nas cadeias de abastecimento logístico, a EPAL ao fim de quatro horas interrompeu o fornecimento de água à área metropolitana de Lisboa, ficando o fornecimento de água dependente das poucas reservas dos serviços municipais, que culminou na interrupção de abastecimento em alguns locais. Como é possível que não existam redundâncias? Imagine-se se fosse 24 horas? 48 horas….
As comunicações sofreram constrangimentos severos logo no início do apagão, demonstrando que mesmo as operadoras de rede móvel, ao longo do dia, foram mantendo os serviços de voz com constrangimentos e ao final do dia em algumas zonas do país os serviços de comunicações foram totalmente interrompidos.
O assunto é mesmo muito sério, em apenas meio-dia de apagão, todos constatamos a nossa impreparação coletiva face ao risco de colapso de infraestruturas críticas. É fundamental deixarmo-nos de retórica política, e aproveitamento destes eventos para arremessos da oposição. Precisamos de arregaçar as mangas! Independentemente das opções políticas anteriores, é hora de enfrentar o problema e desenvolvermos medidas de preparação e mitigação do risco, robustecer a nossa resposta coletiva, com decisões técnicas e tecnologicamente coerentes, sem a intervenção da demagogia politica.
O ASSUNTO É MESMO MUITO SÉRIO
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