O movimento ‘Vida Ascendente’ parece lançar-se numa aventura impossível e, no mínimo, ultrapassada. Impossível, porque a maior parte das pessoas, chegadas ao chamado tempo da reforma, ou terceira idade - tantos nomes já lhe deram - exalam um falacioso suspiro de alívio: "acabou". Acabou a escravidão das 8 às 6, todos os dias, com as mesmas coisas, a crueldade do chefe inquieto por ver mais um pelas costas. Trabalhar mais seria roubar emprego a jovens a quem tarda chegar a primeira oportunidade.
Terminou. Foram preenchidos muitos lugares, mandaram em muita gente, cumpriram missões, foram senhores de muitas vidas.
Agora, depois dos primeiros tempos livres - finalmente! - começa o roer do vazio a ocupar lugares indevidos. Provoca o destreino, a incapacidade de decidir, vê os novos passarem à frente a grande velocidade, irrita-se com as faltas de memória, a imaginação anda às voltas para inventar o começo de um dia, preencher as horas longas, a insignificância das obrigações … e uma lista interminável de inações que geram angústias, impressão de inutilidade, desimportância social…
Há cinquenta anos um grupo de cristãos, pensando em tudo isto e muito mais, ou seja, na dimensão espiritual da vida, criou um movimento chamado Vida Ascendente, para o tempo de reforma que, ao contrário de tornar num bilhete rápido para o outro mundo, é uma caminhada serena baseada na amizade, na espiritualidade, nos encontros em grupo e reflete temas, olha criticamente a realidade como há anos acontecia no "ver, julgar e agir". Num desses encontros a nível internacional revejo e apoio redescobertas de vida com o segredo da alegria e a criatividade, quando tudo parecia caminhar para o fim. Há muitas dioceses e paróquias em Portugal que trabalham entusiasticamente esta área. Mas ainda há muito por fazer. A vida, afinal, é ascendente.
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Ninguém se glorie de este vírus lhe não passar pela porta.
A nossa vida anda repleta de perguntas a que às vezes chamamos mistério.
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A natureza sabe o que quer e aceita agora o frio, a chuva e o vento.
Quando parte, o peregrino nunca sabe se volta, mesmo que tenha o regresso marcado.
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