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Victor Bandarra

Victor Bandarra

Jornalista

O ser e o parecer

26 de julho de 2026 às 00:30

Pompeia, mulher de Júlio César, deu uma festa exclusiva para senhoras na qual entrou um jovem disfarçado. Escândalo em Roma em 62 AC. Não se provou que Pompeia cometeu adultério mas César divorciou-se logo. Explicou porquê: "À mulher de César não basta ser honesta, é preciso parecer!". Após a tragédia da ponte de Entre-Rios (2001) o ministro Jorge Coelho assumiu responsabilidades e renunciou ao cargo. Em 1985, outro ministro, Francisco Sousa Tavares, demitiu-se por estar associado a uma polémica financeira e solicitou o apuramento rápido da verdade. A outros, é preciso empurrá-los. Em 1993, Cavaco não hesitou em correr com o seu ministro Carlos Borrego, que contou em público uma anedota de mau gosto sobre alumínio e alentejanos. Agora, estão em cheque os ministros Fernando Alexandre e Luís Neves, tidos até aqui por competentes e honestos. Alexandre por incompetência, Neves por factos muito graves.  Sobretudo o desaparecimento de um atrelado com amoníaco e acetona,  usados para processar drogas. A acetona serve ainda para tirar nódoas difíceis e o verniz das unhas. Caiu-lhe o verniz, ficam as nódoas. Hoje, para se ser ministro, não é preciso ser competente e honesto, basta parecer...

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