Uma vez por ano, o 25 de Abril toma conta da memória de muita gente entradota na idade. Mas hoje, domingo, a maioria já esqueceu o 25 de Abril deste 2021. Bombardeados com polémicas casuísticas, seguem agora, desatentos ou enfastiados, as sequelas das comemorações do Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador. Pelo contrário, Jacinto é daqueles teimosos que se concentram nas datas e nas memórias. Bem se lembra do 25 de Abril de 1974. Acordou de madrugada, como tantos outros agricultores, e quis escutar na telefonia o programa "Rádio Rural". Descobriu que andava uma confusão por Lisboa. Praticamente analfabeto, filho de analfabetos, sabia desenhar o seu nome; uma vaidade que sempre cultivou junto dos que assinavam de cruz. Poucos meses depois, teve direito à primeira consulta médica na sede do seu concelho rural. Até o mandaram fazer uns exames; e foi assim que o doutor o aconselhou a deixar os "mata-ratos", o bagaço e o tintol. Jacinto, acima dos 80, abandonou há muito o tabaco, mas não resiste a aconchegar o estômago e a cabeça com uns bons copos. Pelo 25 de Abril, bem aquecido, insiste sempre em pôr à janela o velho aparelho de cassetes e lança aos vizinhos a voz de Zeca Afonso no "Grândola, Vila Morena". Filhos e netos sentem-se meio envergonhados, mas ai de quem contrarie o velho.
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