Isabel passou a infância a ouvir falar de urânio, sem saber para que serviam aquelas pedras amareladas. Mas tem uma certeza: foi o urânio que lhe matou o avô ainda antes dos 60 anos. Isabel veio pequenina para Lisboa, com os pais, deixando para trás a pequena aldeia na região da Urgeiriça, Nelas. O avô foi mineiro nas minas de urânio da Urgeiriça. As minas, encerradas em 2004, chegaram a empregar mais de 1500 pessoas nos anos 50. Isabel lembra-se de o avô trabalhar 9 horas seguidas em condições desumanas de humidade, enchendo os pulmões de poeiras e partículas radioactivas. “Ninguém sabia o que era isso da radioactividade! Dava emprego e pronto!” Isabel poucas vezes voltou à sua terra mas sabe que ainda lá está a escombreira de resíduos radioactivos da mina. Por ali não crescem árvores e ninguém arrisca pôr as ovelhas a pastar. Restam memórias: o vetusto Hotel da Urgeiriça foi cenário de convívio de Salazar com a jornalista francesa Christine Garnier e, mais tarde, de discreto refúgio amoroso para Sá Carneiro e Snu Abecasis, com o urânio ainda por ali à mão de semear.
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