1. O FC Porto deu sinais de ter crescido como equipa. O clube gosta de desafios e mais uma vez a firmeza inicial foi determinante. Seguro atrás, superior no meio-campo, abusou da ironia: o mal amado McCarthy encheu a alma com um golo enorme. O Benfica decidiu inovar num jogo de alto risco, com Geovanni no meio, Sokota na bancada e uma substituição aos 25 (!) minutos. Dominado na primeira parte, demonstrou carácter na segunda. Podia perfeitamente ter empatado. Acabou por perder. Qualquer que fosse o resultado teria ficado demonstrada a escassez de opções, sobretudo quando é preciso fazer golos. O Benfica não mostra imaginação. Se um dia Miguel se constipar o problema será grave. O clubes ‘encarnados’ continuam na frente, mas o FC Porto saiu da Luz a achar que vai ser campeão. Percebeu-se porquê.
2. O futebol continua imperfeito, pouco mudou. Continua a ter jogadores, árbitros, bola e um objectivo: ganhar. Os futebolistas são mais velozes e fortes, a bola leve e imprevisível. O árbitro permanece o tipo do apito. Em redor do jogo, pelo contrário, o futebol é modernaço, inchado de cameras, televisões e marisco nos camarotes. Discute-se o que se vê no ecrã. Nas últimas décadas a vida do árbitro piorou. Restam três alternativas: desconfiar de todos eles e permitir que o caos se instale; aceitar que o erro equivale à bola que bate na trave; implorar à FIFA que entenda os novos tempos e se adapte. Sempre achei que na segunda via estava a virtude, mas para isso seria necessário que todos os intervenientes tivessem cultura desportiva. Uma impossibilidade, rendo-me. Não encaixar os erros de Benquerença é apenas o último exemplo.
P.S. – Depois de cenas como a da conferência de imprensa do Benfica-FC Porto é costume soltar a frase batida «batemos no fundo». Nada mais errado. Entre José Veiga, Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa existem histórias antigas e pessoais que o tempo ameaça agravar e não resolver. Infelizmente para quem gosta de futebol há também uma bola. Antigamente os duelos resolviam-se a tiro. Hoje o microfone é a arma de arremesso, portanto isto vai durar…
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Os filhos levam tempo até perceber que os pais também são humanos.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.