Ou seja, o editor e o autor arriscam-se a ver um livro apreendido e arruinado nos armazéns porque o biografado, de repente, não gosta (como Roberto Carlos, por exemplo) que digam que tem uma perna mecânica ou que em tempos quis fazer uma operação de mudança de sexo.
Na semana passada, Caetano Veloso admitiu apoiar essa censura sobre autores de biografias – com o argumento de que não é censor, apenas defende a sua privacidade, junto com a liberdade de expressão, naturalmente. Tamanha defesa da liberdade de expressão comove.
Ao lado de Caetano estão outros "libertários" zelosos do seu direito à privacidade, como Milton Nascimento, Gilberto Gil, José Sarney, Djavan ou Chico Buarque. Que estranho painel de defensores da liberdade de expressão – quando lhes é conveniente. "Ah! Chico e Caetano defenderam-na em ditadura!" É verdade; honremos esse nobre combate. Mas em democracia convém manter as convicções e não guardá-las na despensa.
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Por Carlos Rodrigues
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Os filhos levam tempo até perceber que os pais também são humanos.