A expressão pode parecer inócua, mas está na base da tentativa de os militares evitarem o caminho para um regime religioso e islâmico no país, destino para onde o presidente anteontem deposto tinha indicado a direção.
Alaa Al-Aswany, um escritor muçulmano (autor de ‘O Estado do Egito’ e ‘Chicago’), esforçou-se por provar que havia uma ponte entre um regime de inspiração religiosa e uma forma qualquer de democracia – ele apoiou a Irmandade Muçulmana e impediu que os seus livros fossem traduzidos para o hebraico; não sei o que Naguib Mahfouz (1911-2006), vencedor do prémio Nobel da literatura em 1988, pensaria sobre este assunto, ele que
foi perseguido pelos Irmãos Muçulmanos e vítima de vários atentados levados a cabo por motivos religiosos, mas acho que ficaria mais tranquilo depois do golpe militar. Coisas tão estranhas que acontecem no mundo.
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Hoje, o desafio não é reescrever o texto constitucional, mas cumprir o seu espírito.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.