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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

Guerra das audiências

02 de novembro de 2018 às 00:31

Numa altura em que se decide o futuro da medição de audiências televisivas em Portugal é importante distinguir o essencial do acessório. E o essencial é a transparência de um mercado que movimenta centenas de milhões de euros e que dá emprego a milhares de portugueses.

Todos sabemos que a indústria vive uma fase complexa. O consumo de canais generalistas de modelo clássico desce em todo o mundo ocidental, como comprova a generalidade dos estudos internacionais.

Perante isto, os patrões das empresas afetadas pela fuga massiva de espectadores têm duas formas de reagir: ou enterram a cabeça na areia e tratam o país como um quintal privado, ou reinventam o negócio com criatividade e vão à luta num ambiente saudável e leal. Este último tem sido o caminho trilhado na generalidade dos países europeus e na América.

Por cá, pelo contrário, existe o péssimo hábito de defender a democracia e o mercado livre às segundas, quartas e sextas, enquanto se pugna pela manutenção dos privilégios às terças, quintas e sábados, e ao domingo vai tudo jogar golfe.

Entendamo-nos. A tentação do condicionamento industrial está ao rubro, e tem na medição de audiências diárias, feita sob a égide da CAEM, o palco da vergonha.

Estaremos todos atentos. Quem quer medir a realidade através de uma lente aumentativa está a meio caminho da fraude e deve ser combatido por todos os meios à disposição de uma sociedade aberta e de direito democrático.

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