Não que as pessoas me lembrem ratos, o meu respeito por todas elas; mais no sentido de se sujeitarem a viver inescapavelmente observadas, dentro de um espaço e de um tempo limitados. A ideia é antropologicamente interessante, sempre achei. Se somos ou não voyeures, ou voyeuses, isso é outro aspecto.
Há quem se interesse pelo escândalo, por exemplo - a tensão sexual que se cria e as diferentes formas de debelá-la. Não que eu seja indiferente à capacidade de abstracção necessária para tornar pública uma coisa tão difícil como a intimidade; mas interessam-me mais outros aspectos, muito mais pornográficos, como a exposição impúdica de um baixo QI ou de uma índole venenosa, de um complexo de inferioridade ou de uma patologia expressa. É a isso que se sujeitarão os convidados d’ A Quinta, sem crise aparente, arriscando uma coisa tão cara como a face pública em troca de outras tão baratas como o dinheiro ou a notoriedade.
É claro que haverá quem se preste a isto sadiamente, por puro desafio ou diversão, interessado em testar o seu grau de naturalidade sob a pressão dos holofotes. Ou, ainda, quem consiga ser tão genuíno que cative por isso mesmo. De qualquer forma, estarei aqui pelo teatro. É sempre ele que me interessa, na farsa ou no drama.
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Por Carlos Rodrigues
Enquanto o COI impedia homens biológicos de baterem em mulheres, por cá a gente entreteve-se com uma pseudo-traição na ‘Secret Story’ e a bolha mediática acha mal José Luís Carneiro pressionar pela libertação de presos políticos.
Ninguém pedia que a Europa marchasse com Israel e os EUA para o Irão.
É caso para temer que seja mais do mesmo.
Os filhos levam tempo até perceber que os pais também são humanos.
Somos dos países mais seguros. Porquê? Porque somos dos mais subdesenvolvidos.