Paulo Oliveira Lima
JornalistaA vida portuguesa tem sido fértil em investigações judiciais. A elite que governou o País nos últimos 20 anos tem sido chamada a explicar negócios incompreensíveis e as teias de interesses que, em tantos casos, delapidaram o erário público. Desse grupo, poucos são os que se mantêm em funções numa sociedade mais vigilante e menos tolerante perante o erro, tal é o nível de prejuízo que nos impingiram.
O futebol, contudo, vive numa bolha. Os dirigentes, que tantas vezes se sentaram à mesa com os rostos do passado, têm permanecido tranquilos nos seus lugares, resistindo aos sinais da mudança dos tempos. As suspeitas que recaem sobre Pinto da Costa, tal como a investigação a Vieira, que forçou a sua saída, e até os indícios que no passado apontaram diretamente para ex-figuras secundárias, devem fazer-nos pensar no tipo de futebol que pretendemos.
Se exigimos transparência em detrimento de uma festa rija na Avenida dos Aliados ou no Marquês de Pombal, ou se continuamos com mais do mesmo, assobiando para o lado desde que a bola entre na baliza, fingindo que o inexplicável terá uma boa justificação pois, ao fim de tanto tempo, eles lá saberão o que fazem.
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