Proponho um olhar diferente. As autoridades fizeram um excelente trabalho evitando uma tragédia, mas vamos supor que este jovem possa ser vítima.
As perturbações de personalidade e o espetro de autismo já não são desconhecidas. O que sabemos, em 2022, permite-nos acompanhar e tratar os diferentes casos, integrando-os com sucesso na sociedade. Quando queremos ouvir, olhar e realmente ver. Na CMTV temos ouvido relatos de familiares, conhecidos e colegas. Em nenhum dos casos temos garantia de que existiu acompanhamento vigilante. O avô desconhecia o teor dos problemas identificados ao neto, os colegas de curso notaram o perfil pouco social e assimilaram com naturalidade e até a porteira do prédio onde vivia, em Lisboa, nunca estranhou a introspeção com laivos de má educação.
Para todos foi natural, incluindo o estabelecimento de ensino que não esclareceu se houve apoio diferenciado a um rapaz com necessidades especiais. É certo que estamos a falar de um plano criminoso que poderia ter tido um desfecho trágico. Mas há situações-limite que são o culminar de um longo caminho de solidão e indiferença.
Antes de se tornar num putativo homicida, os dados parecem indicar que João pode ter sido vítima da ausência de acompanhamento das nossas instituições e das estruturas de afeto que o deveriam suportar. Não serve como desculpa. Mas deve fazer-nos pensar no que temos de mudar para que não se repita.
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