A direita salazarista de hoje, entrincheirada no Chega, no CDS e em parte do PSD, reivindica o 25 de Novembro de 1975 como uma vitória contra o 25 de Abril. É uma pantomina de ignorância construída sobre a realidade histórica. Os militares moderados ganharam, a extrema-esquerda e a extrema-direita militares perderam. Quase um milhão de fervorosos ativistas da extrema-esquerda tiveram armas, mas não um chefe. Otelo recuou. A extrema-direita militar e política, que quis armar-se em torno de Jaime Neves para ilegalizar o PCP e todo o esquerdismo, também perdeu. Devemos a paz a Mário Soares e ao PS, que lideraram a luta nas ruas. Devemos a paz a militares como Costa Gomes, Ramalho Eanes e a todo o Grupo dos Nove, com Melo Antunes e Vasco Lourenço. Em certo sentido, devemos a paz a Cunhal e a Otelo, que souberam recuar. Mário Soares foi quem melhor percebeu que este país não teria futuro se não fosse promovida uma reconciliação que mitigasse as fraturas da história. Por isso reabilitou Spínola, respeitou sempre Cunhal, amnistiou Otelo. Um gigante político que faz muita falta neste tempo de gente medíocre, cuja memória devia obrigar o PS a assumir Novembro como data indissociável de Abril.
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