A eleição de António José Seguro é um caso de estudo para os cientistas da política. Partiu sozinho, sem apoios declarados à partida, com o seu próprio partido a afundar-se num debate fratricida. Com uma extrema-esquerda afundada numa espiral de sectarismo. A sua melhor arma foi a iniciativa política, ao acertar no tempo certo de anunciar a candidatura, a inteligência estratégica na sua condução, os valores de integridade e coerência, que soube gerir em tempos tão difíceis como o da oposição interna a Sócrates, quando todos ajoelhavam. Também uma biografia política que o afastou dos piores episódios de degradação do sistema político e do posicionamento do PS nos últimos onze anos. A par da capacidade de atrair eleitores moderados do centro, num espetro que entrava bem por uma direita fragmentada em várias candidaturas. O triunfo de Seguro não foi apenas a vitória de um ‘homem normal’, como se costuma dizer, que alguns quiseram transformar num ‘homem sem qualidades’, pegando no título de Musil no seu romance canónico. A vitória de Seguro foi a de um político sério, que proclamou a defesa dos valores em que se funda a democracia portuguesa, mostrando o caminho que se deve trilhar no combate pela decência e união entre os portugueses, contra a infâmia, o extremismo e a polarização entre o que alguns julgam ser os bons e os maus.
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