Armando Esteves Pereira
Diretor-Geral Editorial AdjuntoA comunidade cigana tem muitas razões de queixa pela forma como é tratada pelo Chega. Mas a sucessão de atos de protesto contra a caravana dá uma oportunidade de ouro ao líder do partido extremista, o que é contrário aos desejos das pessoas que participam nestas ações . Nestes legítimos atos. os manifestantes tornam-se em involuntários atores úteis da narrativa do Chega. O que fica nas imagens televisivas é o protesto de um grupo ao qual Ventura responde com porte de marialva. E essas imagens são preciosas para o partido que tinha entrado para estas eleições com um grande risco, uma vez que há um ano tinha sido a grande surpresa ao conquistar 50 deputados. Poderíamos pensar que os sucessivos escândalos abalariam o partido e poderiam levar a uma diminuição das intenções de voto. Episódios lamentáveis não faltaram: não foi só o deputado que roubava malas, ou o abusador de menores que defendia publicamente a castração dos pedófilos, no grupo parlamentar havia tantos deputados com histórico duvidoso, que muitos tinham mais cadastro do que currículo. Também nas questões substantivas, desde a economia, saúde. educação, segurança social, as propostas do Chega não merecem grande nota, aliás ao longo dos anos o partido já defendeu quase tudo e o seu contrário. Mas há um ponto muito forte no Chega, a preocupação com a percepção de insegurança e o aproveitamento e exploração do medo em relação aos imigrantes e minorias étnicas. Em muitos casos a percepção de insegurança tem base real, não foi por acaso que nos concelhos do sul do País onde o Chega é mais forte, tem havido ao longo de décadas questões de insegurança e problemas de convivência com membros da comunidade cigana. O conflito público entre Ventura e a comunidade cigana é o melhor argumento para o Chega. Numa sociedade cada vez menos politizada e mais iletrada, apesar dos aumento de diplomados, os preconceitos são uma poderosa arma política.
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