A tensão política que Angola está a viver continua a generalizar-se e, depois dos protestos nas ruas, entrou em campo na final da AfroBasket 2025, em Luanda. A competição foi ganha pelos angolanos, que venceram a seleção de basquetebol do Mali no jogo decisivo realizado no passado fim de semana, mas o principal derrotado foi o presidente da República, João Lourenço.
O chefe de Estado foi alvo de uma primeira vaia monumental – e inédita - quando chegou ao pavilhão multiusos da Kilamba e, depois, quando desceu ao retângulo de jogo para entregar as medalhas aos participantes no torneio. Talvez já adivinhando a insolência popular, Lourenço optou por não assistir ao jogo, tendo aparecido apenas no final do encontro, o que não evitou os constrangimentos na comitiva presidencial e, sobretudo, entre os organizadores do evento. Que na tentativa de calar as vaias, aumentaram, sem sucesso, o volume do kuduro que tocava no pavilhão. Em Angola, é provável que a música já não embale quem tem fome.
Com os preços dos bens alimentares a aumentar, o custo dos transportes a subir e a taxa de desemprego a atingir 32%, a música não será suficiente para travar o descontentamento que no mês passado levou a tumultos causadores de 30 mortos. Sobretudo quando João Lourenço insiste em nada dizer sobre esta onda de protestos que, teimosamente, prefere ignorar.
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