A previsível prescrição dos crimes de corrupção relacionados com o negócio de Vale de Lobo, em julgamento no ‘Marquês’, é um primeiro indício do que há muito se adivinha sobre o desfecho do caso. Aos factos de Vale do Lobo não se aplica a alteração do Código Penal de 2010, que alargou os prazos de prescrição em geral. Vem daí a mais que previsível prescrição, nem tanto pela morosidade. A defesa de Sócrates, portanto, há muito que tem nesta prescrição a possibilidade de ganhar um primeiro ‘round’ na secretaria. Sobram, é certo, os crimes de corrupção associados a vantagens recebidas do Grupo Lena e de Ricardo Salgado, com prazos prescricionais maiores. Mas Sócrates já percebeu que, mesmo condenado, não vai cumprir um único dia de prisão, para lá dos que já lá esteve. Nesta altura, a sua defesa já prepara o caminho para uns bons anos de recursos futuros. O trânsito em julgado deste processo deve ocorrer, por isso, com a década de 2030 bem entrada no século, quando Sócrates estiver já perto dos 80 anos, idade em que ninguém é preso. Aqui chegados, o que o impede de fazer a vida que bem quiser no Brasil, onde já a tem organizada?! Rigorosamente nada. A tagarelice de vitimização, a indignação postiça em torno da alegada violação dos seus direitos, o carnaval que faz no tribunal, são a melhor prova de que se está nas tintas para uma defesa séria na barra e que abraça uma doce impunidade a um ritmo sambista.
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