A última vez que os EUA realizaram uma operação idêntica à que agora afastou o Nicolás Maduro do poder na Venezuela foi em 1989, no Panamá, para derrubar o então presidente Manuel Noriega. Os argumentos, em ambas as agressões militares, são idênticos: lutar contra o narcotráfico e combater a criminalidade. Nem a mente mais ingénua acreditará que estas tenham sido as motivações de Donald Trump para capturar o ditador herdeiro de Hugo Chávez. Reduzir a invulgarmente musculada intervenção armada, à revelia das instituições que poderiam travar Trump, a uma luta pelo abundante petróleo da república bolivariana é, no mínimo, simplista. Alinhado com a Rússia, a China e o Irão, Maduro há muito que se apresentava como uma ameaça à hegemonia que Washington pretende ter na América Latina. Agora, ao impor um novo governo – que espera mais dócil para os seus interesses - e ao assumir uma intervenção direta nos destinos de uma nação soberana, os EUA evidenciam as intenções que também tem riscos para a Casa Branca. O que poderá acontecer na Venezuela é incerto e, se depender de Trump, não passará pela Nobel da Paz, Corina Machado. E, a contar pelas últimas declarações, poderá não passar também por Delcy Rodrígues, nomeada presidente interina. A ação dos EUA arrisca ainda causar uma fragmentação inimaginável da sociedade venezuelana, onde o poder judicial é controlado pelo ‘chavismo’ e o exército que deixou escapar Maduro convive com grupos paramilitares que podem atirar o país para uma guerra civil.
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