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Correio da Manhã

Política
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Empresários relatam situação dramática em encontro virtual com candidato presidencial João Ferreira

Candidato apoiado pelo PCP ouviu queixas sobre as dificuldades e desafios criados em vários setores pela Covid-19.
Lusa 13 de Janeiro de 2021 às 18:52
João Ferreira
João Ferreira FOTO: Lusa
Vários pequenos e médios empresários queixaram-se hoje da situação "dramática" que enfrentam devido às restrições impostas para conter a pandemia da covid-19, pedindo respostas por parte do Governo e celeridade na aplicação de medidas de apoio.

Num encontro 'online' organizado pela candidatura do comunista João Ferreira, intitulado "À conversa: apoiar as Pequenas e Médias Empresas, responder ao país -- Um horizonte de esperança", quatro empresários de diferentes áreas relataram a situação que vivem, dizendo temer que a mesma se agrave.

Jorge Pisco, empresário e presidente da Confederação Portuguesa das Pequenas e Médias Empresas (CPPME), alertou para a situação "dramática" que os empresários estão a viver e lamentou que os prometidos apoios financeiros tardem em chegar.

"Na realidade, a situação já era complicada, mas neste momento, ao fim de dois meses, a situação, podemos dizer, é dramática", apontou, lamentando que "o conjunto tão vasto de medidas que o Governo tem vindo sucessivamente a tomar", se percam nelas próprias.

Segundo o empresário, "há setores que desde março do ano passado estão completamente parados", situação para a qual tem vindo a alertar o Governo, os partidos na Assembleia da República e até o Presidente da República.

Luís Rebelo, empresário da restauração em Setúbal, disse, por seu turno, que os apoios destinados aos empresários "são mal distribuídos", depois de o setor ter tido de "se reinventar para o 'take away'" e passar a lotação dos espaços para 50%, entre outros desafios.

Para o empresário, "a pandemia do desemprego e do desespero é mais grave do que qualquer pandemia", sendo expectável que esta situação leve ao fecho de empresas e à destruição de milhares de empregos.

Nesse sentido, aproveitou para deixar um apelo ao Governo: "Se estamos à espera que nos ajudem, então ajudem-nos de uma única maneira extremamente importante: deixem-nos trabalhar".

Também Paulo Pinho, empresário na área da publicidade em Vila Franca de Xira, mostrou-se "alarmado" e "desanimado" face ao confinamento que se avizinha, considerando que vai ser "muito mais difícil do que foi em março", já que as empresas nessa altura vinham "bastante balançadas" pelo "bom ano" de 2019.

No final do encontro virtual, o candidato comunista à Presidência da República sublinhou que "ninguém poupou" na expressão dramática, "porque a situação é dramática", acrescentando que não se trata de "carregar na força das palavras", mas sim de "descrever de forma fiel a realidade que estamos a viver".

Durante a manhã, João Ferreira teve um encontro com a deputada socialista Isabel Moreira, na Praça das Flores, de onde seguiu para o Jardim Amália Rodrigues para uma ação simbólica de manifestação de apoio à sua candidatura de um grupo de 285 ecologistas, com Heloísa Apolónia.

A primeira campanha realizada em Portugal em estado de emergência arrancou oficialmente no domingo, sob a ameaça de um novo confinamento e com as estruturas a adaptarem as suas agendas às restrições impostas pela pandemia de covid-19.

As eleições presidenciais estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

Além de João Ferreira (PCP e PEV), concorrem a estas eleições seis candidatos: Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP), Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.945.437 mortos resultantes de mais de 90,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 8.080 pessoas dos 496.552 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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