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Presidente do Município da Marinha Grande pede ao Governo postura mais construtiva

Ministro da Economia e Coesão Territorial admitiu esta quarta-feira que o processo de apoios à reconstrução das casas afetadas pelo mau tempo "não está a correr bem"

11 de março de 2026 às 18:44

O presidente do Município da Marinha Grande pediu esta quarta-feira ao Governo uma postura mais construtiva após as declarações do ministro da Economia que responsabilizou as autarquias pela demora na avaliação das casas afetadas pelo mau tempo.

Citado numa nota de imprensa enviada à agência Lusa, Paulo Vicente apelou para uma postura "mais construtiva, colaborativa e alinhada com a realidade local por parte do Governo".

O ministro da Economia e Coesão Territorial admitiu esta quarta-feira que o processo de apoios à reconstrução das casas afetadas pelo mau tempo "não está a correr bem", mas não por culpa do Governo, responsabilizando as autarquias pela demora na avaliação.

"Temos 25 mil candidaturas a apoios, no valor de 143 milhões de euros, e o dinheiro que chegou às mãos das pessoas ainda é muito pouco. Porquê? Porque está a demorar o processo de avaliação a cargo das Câmaras Municipais", afirmou Castro Almeida, nas jornadas parlamentares do PSD, em Caminha (Viana do Castelo). 

Os apoios financeiros para reparar os estragos causados pela depressão Kristin em habitações são atribuídos no prazo máximo em três dias úteis nas despesas até cinco mil euros (com fotografias) e até 15 dias úteis nos restantes (danos entre cinco mil e dez mil euros, com vistorias da responsabilidade dos municípios). 

Paulo Vicente sustentou que estas afirmações "não correspondem à realidade vivida no terreno", defendendo que os municípios têm estado "totalmente mobilizados para apoiar as populações desde o primeiro momento". 

"É profundamente injusto imputar às câmaras municipais a responsabilidade por atrasos num processo cujas regras, exigências e procedimentos foram definidos pelo Governo e que, na prática, se têm revelado tudo menos facilitadores", considerou, destacando que "os municípios estão a trabalhar no limite das suas capacidades para responder à emergência e apoiar as famílias". 

O autarca da Marinha Grande, concelho gravemente afetado pela depressão Kristin há seis semanas, adiantou que a verificação das candidaturas de particulares submetidas à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro foi imposta pelo Governo às autarquias, "sem que tenha existido um reforço adequado dos recursos técnicos, humanos ou financeiros".  

No caso da Marinha Grande, "os serviços municipais têm acumulado a avaliação das candidaturas de habitações permanentes, com a recuperação de infraestruturas destruídas, o apoio direto à população e a gestão permanente da situação de emergência e toda a atividade inerente à autarquia". 

"[As declarações do ministro] são injustas e inadmissíveis para autarquias que enfrentaram um cenário de enorme gravidade e que continuam a fazer um esforço imensurável para restabelecer a normalidade na vida das suas populações", acrescentou Paulo Vicente. 

Esta quarta-feira, a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria, de que faz parte a Marinha Grande, afirmou ser "injusta e desleal" a responsabilização das autarquias por atrasos nos processos de reconstrução das casas afetadas pelo mau tempo, refutando as declarações do ministro da Economia. 

"(...) A CIM considera profundamente injusta e desleal a tentativa de imputar às autarquias responsabilidades por atrasos num processo cujas regras, estrutura e modelo de funcionamento foram definidos, unilateralmente, pelo Governo", referiu um comunicado enviado à agência Lusa. 

No comunicado, a Região de Leiria, que foi a mais afetada pelo mau tempo, sustenta que as declarações do governante "não correspondem à realidade do processo que está no terreno e revelam uma leitura incorreta das responsabilidades atribuídas às diferentes entidades". 

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