Presidente da Câmara defende que situação devia ter sido declarada "mais cedo" e criticou a "enorme confusão" na resposta às zonas afetadas pela depressão Kristin.
O presidente da Câmara de Leiria defendeu este sábado que a situação de calamidade devia ter sido declarada "mais cedo" e que deve prolongar-se além de domingo, e criticou a "enorme confusão" na resposta às zonas afetadas pela depressão Kristin.
"Aquilo que aconteceu a seguir à tempestade foi uma intervenção que gerou uma enorme confusão em muitas cabeças de quem só pensa em Lisboa, esquecendo-se que o país e a região Centro em especial, onde há muita economia, onde vivem muitas pessoas [...], se viu destruída de um dia para o outro", declarou o autarca Gonçalo Lopes (PS), à margem de uma ação de voluntariado para limpar a cidade de Leiria.
O autarca leiriense reforçou que há "prejuízos enormes" na região de Leiria, defendendo que os políticos deviam olhar para os problemas imediatos das pessoas e com maior proximidade, inclusive com a pronta mobilização de militares das Forças Armadas para as zonas afetadas.
"E aquilo que eu tenho assistido nos últimos dias é um carrossel de pessoas a vir a Leiria como se um jardim zoológico se tratasse", criticou.
Gonçalo Lopes escusou-se a esclarecer de que políticos se refere, revelando que "não tem a ver com política nem partidária, nem de governo", e garantindo que não se dirige nem ao Presidente da República, nem ao primeiro-ministro, porque ambos, "desde que tiveram noção de que tinham de intervir e que tinham de estar no terreno, vieram e mobilizaram recursos e estão disponíveis para colaborar com Leiria".
"Tenho o máximo respeito por todos os políticos do Governo, que estão solidários com o Leiria. Vou precisar do Governo para reerguer Leiria. Vou precisar de um Governo forte, sensibilizado e próximo das pessoas [...]. Acho ridículo quando alguém quer oferecer meia dúzia de garrafas de água e que se filma para trazer numa carrinhazinha pequenina a ajuda ao distrito e ao concelho de Leiria", declarou.
Questionado se se refere ao candidato presidencial André Ventura, também líder do partido Chega, o presidente da Câmara de Leiria não confirmou, mas avisou: "Aproveitar o que está a acontecer para fazer campanha, não. É uma ofensa a quem está a sofrer, a quem está há mais de dois dias sem água, sem luz, com dificuldades extremas."
Sobre a resposta às zonas afetadas, Gonçalo Lopes afirmou que o decreto de situação de calamidade "devia ter vindo mais cedo e, seguramente, irá prolongar-se durante mais tempo".
Na quinta-feira, o Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de domingo para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
Sem ter a certeza se a vigência da situação de calamidade vai ser prolongada, o autarca de Leiria realçou que tem a "perceção clara" de que é necessário no concelho e na região de Leiria, até porque no domingo se preveem chuvas intensas e, novamente, ventos fortes.
"É natural que muitas das estruturas que não estão seguras precisam de mais tempo para podermos intervir. Precisamos de um grau de prontidão que se mantém elevado durante os próximos dias. Leiria tem também um rio que tem sido disciplinado dentro das suas margens e que já galgou as margens", expôs, enquanto há helicópteros a sobrevoarem a cidade para "ver, mais uma vez os telhados desterrados, o rio a transbordar".
O autarca frisou que, "se houve um primeiro momento em que não houve a noção da dimensão do problema", agora está mais que identificada a calamidade que a região enfrenta.
Neste âmbito, Gonçalo Lopes apelou à população de Leiria que se mantenha unida para reerguer o concelho, assegurando que "não há aqui leirienses de primeira nem de segunda" e reforçando que tem de existir espírito de entreajuda na comunidade.
"Isto é um ambiente de guerra", realçou o autarca, referindo que em Portugal "há pouca gente preparada" para responder a catástrofes naturais desta dimensão e considerando que tem de haver "uma mudança de mentalidade profunda naquilo que é a lógica da proteção civil", até para responder ao contexto de guerra no mundo.
Apesar das dificuldades, o autarca de Leiria manifestou confiante com a recuperação do território: "Acredito perfeitamente que se há um sítio onde Portugal está preparado para reagir melhor ao que aconteceu é o meu concelho."
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
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