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Correio da Manhã

Portugal
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Justiça falha proteção a mulher assassinada

Angelina viveu 5 meses de terror e foi morta pelo ‘ex’, ao ser regada com gasolina e queimada viva. Fez várias queixas, mas não obteve ajuda.
Francisco Gomes 21 de Dezembro de 2018 às 01:30
Angelina Rodrigues foi morta pelo ex-companheiro em Peniche
Angelina Rodrigues tinha 42 anos
Vítima foi levada para o Porto pelo INEM
INEM
Angelina Rodrigues foi morta pelo ex-companheiro em Peniche
Angelina Rodrigues tinha 42 anos
Vítima foi levada para o Porto pelo INEM
INEM
Angelina Rodrigues foi morta pelo ex-companheiro em Peniche
Angelina Rodrigues tinha 42 anos
Vítima foi levada para o Porto pelo INEM
INEM

Depois de terminar a relação amorosa com João Faustino, Angelina Rodrigues viveu cinco meses aterrorizada, debaixo de ameaças, perseguições e agressões - que culminaram com a sua morte. E, apesar de ter procurado proteção e apresentado queixa, "nem a PSP nem o Ministério Público tomaram qualquer iniciativa para que fossem desencadeados os procedimentos adequados para a sua segurança", diz o relatório da Equipa de Análise Retrospetiva de Homicídio em Violência Doméstica.

De acordo com o relatório, uma avaliação feita dois meses antes do homicídio apontava para um risco "elevado", por já ter sido ameaçada de morte. "Perante a escalada da agressividade, Angelina foi proativa e procurou ajuda junto das forças de segurança e do sistema de Justiça, sem qualquer resultado", diz o relatório, adiantando que o homem apenas foi constituído arguido e prestou o termo de identidade e residência.

Por outro lado, o hospital onde a vítima foi tratada duas vezes devido às agressões também não comunicou às autoridades.

Angelina seria atacada pela última vez à saída da fábrica de conservas onde trabalhava, em Peniche. Foi surpreendida por João, que com um martelo a forçou a sair do carro. Tentou esfaqueá-la, agrediu-a e atirou-lhe gasolina para o corpo, ateando fogo com um isqueiro. Morreram ambos queimados.

PORMENORES

Mais atenção
Relatório recomenda maior averiguação e intervenção das várias entidades nos casos de violência doméstica, como a avaliação do risco e a adoção de medidas.

Menor em perigo
A filha de Angelina, de sete anos, "estava em situação de perigo", ficou desprotegida, sem apoio, nem plano de segurança. "Foi negligenciado o seu sofrimento".

Interrogatório
Angelina, 42 anos, foi incendiada pelo ex-companheiro, 51 anos, a 20 de setembro de 2017. João devia ser interrogado no Ministério Público no dia seguinte.

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