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Correio da Manhã

Portugal

Quatro motoristas ‘detidos’ e obrigados a trabalhar

Um dos motoristas chegou a casa e tinha dois GNR à espera para o identificarem e levarem até ao posto de trabalho.
Diana Ramos,Mariana Lopes e J.C.R. 15 de Agosto de 2019 às 01:30
Terceiro dia de greve dos motoristas
Terceiro dia de greve dos motoristas
Greve dos motoristas
Terceiro dia de greve dos motoristas
Terceiro dia de greve dos motoristas
Terceiro dia de greve dos motoristas
Terceiro dia de greve dos motoristas
Terceiro dia de greve dos motoristas
Greve dos motoristas
Terceiro dia de greve dos motoristas
Terceiro dia de greve dos motoristas
Terceiro dia de greve dos motoristas
Terceiro dia de greve dos motoristas
Terceiro dia de greve dos motoristas
Greve dos motoristas
Terceiro dia de greve dos motoristas
Terceiro dia de greve dos motoristas
Terceiro dia de greve dos motoristas
Quatro motoristas foram esta quarta-feira surpreendidos por elementos da GNR que os identificaram e ameaçaram com prisão caso não os acompanhassem ao local de trabalho e iniciassem os serviços para os quais estavam escalados. Entretanto, os grevistas desafiaram os patrões a voltar esta quinta-feira à mesa das negociações.

A denúncia das detenções foi feita pelo Sindicato dos Motoristas e Matérias Perigosas e depois confirmadas pela GNR, que assumiu "foram quatro os trabalhadores notificados de que a sua não comparência no local de trabalho constituía a prática do crime de desobediência". A GNR assegura que não houve detenções e que os trabalhadores "decidiram voluntariamente cumprir o serviço para o qual estavam nomeados", mas os motoristas desmentem.

O Correio da Manhã e a CMTV presenciaram o momento em que três funcionários de uma transportadora chegaram às instalações da empresa acompanhados de militares da GNR para se apresentarem ao serviço. Aníbal Cartaxo, um desses condutores, quando iniciava já a marcha, descreveu os momentos anteriores: "Foi simples. Já lá estavam em casa dois agentes da investigação criminal da GNR. Disseram-me que se eu não viesse ficava detido."

Aníbal Cartaxo confirmou ter assinado a notificação e ter sido levado às instalações da empresa pelas forças de segurança. "A empresa disse-me que tinha de fazer os serviços mínimos", acrescentou. O motorista ia abastecer três postos da rede de emergência REPA. O sindicalista Pedro Pardal Henriques afirmou aos jornalistas ter visto uma lista com cerca de 50 pessoas para identificar.

Pardal Henriques endereçou também um convite à ANTRAM para uma reunião esta quinta-feira, no Ministério do Trabalho. O desafio surgiu no mesmo dia em que a Fectrans reuniu com o patronato num encontro em que foi concluído um "documento de trabalho", que resultou do acordo atingido entre as duas partes.

Ao final da tarde de quarta-feira, o Ministério do Ambiente fez um balanço do 3º dia de greve, excluindo o alargamento da requisição civil pois os serviços mínimos "foram genericamente cumpridos".

GNR e PSP com menos patrulhas
A mobilização de elementos da PSP para minimizar os efeitos da greve e garantir a segurança do transporte de combustíveis está a retirar polícias do serviço operacional. De acordo com o presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia, há equipas de intervenção rápida desviadas das suas áreas para Leixões, mas também há casos em que as patrulhas às ocorrências são eliminadas.

Na zona de Lisboa, sabe o CM, a esquadra de Alhandra, Vila Franca de Xira, tem fechado durante a noite devido à falta de efetivo, mobilizado para a greve. "Cada polícia tem de fazer o trabalho de dois, três ou mesmo quatro", aponta Paulo Rodrigues, garantindo que estes agentes nada recebem a mais. "Apenas aqueles que são destacados de mais longe, como Bragança, recebem uma ajuda de custo, mas que em pouco ultrapassa os cinco euros", explica.

Já na GNR, há militares a trabalhar 27 horas seguida a troco de uma ajuda de custo semelhante. Ambos os dirigentes questionam como será se a greve se prolongar.

Em Quarteira não apareceu ninguém para trabalhar
Segundo o Governo, "os únicos casos de incumprimento dos serviços mínimos" prendem-se com os aeroportos de Lisboa e Faro". O ministro Matos Fernandes disse que nenhum trabalhador se apresentou ao serviço em Quarteira, pelo que foram mobilizadas seis equipas da GNR. Para Lisboa, foram utilizadas 18 equipas do Exército e das forças da segurança.

Combustível faltou em 197 postos de zonas rurais
O ministro do Ambiente, Matos Fernandes, revelou esta quarta-feira que durante a manhã 197 postos de áreas rurais não tinham qualquer combustível, mas nenhum deles pertencente à Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA). Nessas zonas, "67% dos postos têm todos os combustíveis" e "83% dos postos REPA" têm também todos os combustíveis, acrescentou. Ao contrário do sucedido terça-feira, os números não foram atualizados ao final do dia.

Pedidas 200 rações de combate
A contestação à forma como os militares da GNR forma mobilizados para esta greve levou o Comando Geral da Guarda a solicitar à Manutenção Militar (Exército) a disponibilização de rações de combate. Segundo o CM apurou, foram 200 as unidade requeridas pelo Comando da Administração dos Recursos Internos (CARI) da GNR. A medida, sabe o CM, surge depois da denúncia de que os militares foram obrigados a trabalhar mais de 24 horas seguidas e tiveram de pagar as refeições do seu próprio bolso.

PORMENORES
Declarar tudo
O Ministério do Trabalho esclareceu que as transportadoras de mercadorias estão obrigadas a declarar à Segurança Social todas as remunerações sujeitas a descontos, não lhes sendo aplicada "qualquer situação excecional".

Greve na PSA de Sines
Os trabalhadores do Terminal XXI, no porto de Sines, estão em greve desde segunda-feira para exigir aumentos salariais e a reintegração de 80 trabalhadores que não renovaram contratos com a empresa PSA Sines.

Alcobaça preocupada
O autarquia de Alcobaça manifestou-se preocupada com a falta de abastecimento no posto da Rede de Emergência de Postos de Abastecimento (REPA), sem combustível desde quinta-feira, afirmando que pode pôr em causa situações de socorro.

Menos obras em Setúbal
A Câmara de Setúbal adotou medidas para fazer face à crise energética, como a redução de serviços de obras municipais e das deslocações para fora do concelho. Assim, as reservas são suficientes para um mês.

Municípios algarvios
A Comunidade Intermunicipal do Algarve afiançou ontem que o abastecimento à região tem sido "minimamente garantido", mas advertiu que é preciso monitorizar constantemente a situação.
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