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Correio da Manhã

Portugal
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Sem-abrigo português morto foi expulso por pedofilia

Marcos, de 35 anos, cumpriu pena em Inglaterra, de onde foi deportado em 2014 e 2016.
Sérgio A. Vitorino e Tânia Laranjo 17 de Fevereiro de 2018 às 01:30
Ramos de flores colocados no local onde Marcos morreu, junto a uma das entradas para o Parlamento britânico
Sem-abrigo
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Ramos de flores colocados no local onde Marcos morreu, junto a uma das entradas para o Parlamento britânico
Sem-abrigo
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Ramos de flores colocados no local onde Marcos morreu, junto a uma das entradas para o Parlamento britânico
Sem-abrigo
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Marcos, 35 anos, o sem-abrigo português que morreu de frio quarta-feira de manhã na estação de metro de Westminster, em Londres, tinha sido expulso do Reino Unido em 2014, após cumprir prisão por abuso sexual de menor. Deportado, foi institucionalizado em Lisboa mas fugiu para regressar ilegalmente a Londres, de onde foi expulso de novo em 2016. Regressou logo a Inglaterra, de novo ilegalmente, e viveu os últimos anos na rua com problemas de "saúde mental, alcoolismo e automedicação", apurou o CM junto de várias fontes.

Nasceu em Lisboa mas tem dupla nacionalidade, portuguesa e angolana. O consulado de Portugal em Londres - onde estava inscrito desde 2008 – ainda não conseguiu contactar familiares. A mãe já faleceu e o pai, angolano, encontra-se incontactável. A morada dada por Marcos aos registos é em Angola, mas também aí as autoridades ainda não tiveram sorte.

Vivia na rua, em Londres. Fez trabalhos ocasionais como "modelo, empregado de mesa e hospedeiro em eventos", explicou Pam Orchard, da organização de apoio a sem-abrigo The Connection, que ajudava Marcos: dormiu num centro por dois meses, passando os 28 dias máximos. "Iria para um novo abrigo mas foi nesse intervalo de tempo que o encontrámos morto em Westminster", disse.

Jamie Evans, que vivia com Marcos no metro, conta que o português "estava bem às 05h00". Depois, às 07h00, "já não respondeu". Morreu supostamente pelo frio (2 graus negativos), o que a autópsia irá agora, ou não, confirmar.

PORMENORES
Marcelo reage
O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a morte "em circunstâncias desumanas". E agradeceu a mensagem que Jeremy Corbyn, líder trabalhista, deixou no local.

Várias mortes
Marcos morreu a 5 metros da porta exclusiva para o Parlamento, o que provocou choque. Deputados davam-lhe comida e bebida. Foi o quarto sem-abrigo a morrer em Westminster este ano.

Milhares
Foram contabilizados 4751 sem-abrigo a viver nas ruas de Inglaterra, no ano passado. Um aumento de 15 por cento. Em Londres, morreram 141 em 2017. Marcos gostava de "cantar e de ioga", diz Ochard.
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