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Correio da Manhã

Sociedade
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Ano letivo arranca com escolas fechadas

Falta de assistentes operacionais afeta vários estabelecimentos, sobretudo no Norte.
Bernardo Esteves e Paulo Jorge Duarte 14 de Setembro de 2019 às 01:30
Conservatório de música de Braga
Auxiliares na Escola Alcaide de Farias fizeram greve
Conservatório de música de Braga
Auxiliares na Escola Alcaide de Farias fizeram greve
Conservatório de música de Braga
Auxiliares na Escola Alcaide de Farias fizeram greve
É uma situação que se arrasta há anos. Sem assistentes operacionais suficientes não podemos garantir a qualidade das nossas valências e a segurança dos alunos."

As palavras são de Paulo Mota, diretor do Agrupamento Almeida Garrett, em Gaia, que decidiu não abrir esta sexta-feira a escola secundária, com 1500 alunos, no último dia fixado pelo Ministério da Educação para o arranque do ano letivo.

Os 1067 assistentes operacionais anunciados pelo Governo em fevereiro ainda não foram recrutados. A falta de funcionários impediu também a abertura do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga.

Segundo a associação de pais, a escola deveria ter 32 auxiliares mas só dispõe de 16. Os pais estão dispostos a manter a escola fechada por tempo indeterminado. Também encerrada está a Escola Básica Eugénio de Andrade, Escola Referência para a Educação Bilingue de Surdos na Área Metropolitana do Porto.

"Não há auxiliares suficientes para garantir a segurança", revela o Conselho Geral deste agrupamento. Na Escola Secundária Alcaides de Faria, em Barcelos, as portas só abriram às 11h00, após uma greve de funcionários a reclamar reforço do pessoal.

A secretária de Estado Adjunta e da Educação Alexandra Leitão afirmou esta sexta-feira que os 1067 auxiliares só estarão nas escolas no final de outubro.

Serviços escolares a funcionar a meio gás
Há também escolas a meio gás devido à falta de auxiliares. "Quando está em causa a segurança fechamos as escolas, mas a outra opção é sacrificar serviços, reduzindo por exemplo o horário da papelaria ou da biblioteca", disse ao CM Filinto Lima, da Associação de Diretores (Andaep).

Ministro diz que começa tudo "a tempo"
"Começar e acabar a tempo o ano letivo passou a ser a norma", afirmou esta sexta-feira o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, numa alusão ao facto de os professores terem sido colocados a 16 de agosto. Garantindo que "está tudo a postos", o ministro destacou que "as escolas puderam conhecer o corpo docente a 16 de agosto e nunca tal tinha acontecido". Sobre o problema da falta de assistentes operacionais, o ministro nada disse.

PORMENORES
Bolsa por regulamentar
O Ministério da Educação anunciou que este ano letivo haveria já uma bolsa de recrutamento para substituir de forma rápida os auxiliares de baixa médica, mas Filinto Lima, da Andaep, avisa que a bolsa "está ainda por regulamentar".

Audiência com Governo
A Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep) quer uma audiência urgente com o próximo Governo por causa da falta de auxiliares. Filinto Lima nota que mesmo contratando os referidos 1067 ficam a faltar mais.
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