Das 12 mortes registadas durante a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar, a IGAS associou pelo menos duas a atrasos no socorro.
O antigo presidente do INEM Miguel Soares de Oliveira repudiou esta quinta-feira as conclusões da Inspeção-Geral da Saúde sobre as mortes durante a greve de 2024 no instituto, considerando que não se pode separar os doentes pela probabilidade de sobrevivência.
"Traçou uma linha que devemos repudiar, que é separar doentes entre os salváveis e os não salváveis de acordo com as possibilidades de sobrevivência" disse Miguel Oliveira, acrescentando que a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) não devia ter escusado o INEM de responsabilidades porque determinados doentes tinham poucas possibilidades de sobrevivência.
O responsável foi esta quinta-feira ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao INEM enquanto coordenador do Gabinete de Regulação do Transporte de Doentes, cargo que ocupava desde outubro de 2024 e do qual foi afastado pelo atual conselho diretivo do instituto, depois de se ter demitido do departamento de formação.
A CPI ao INEM pretende apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM e o foco inclui a atuação do instituto durante as greves do final de outubro e início de novembro de 2024, que afetou a prestação de socorro por parte do instituto.
Durante as greves dos técnicos de emergência pré-hospitalar, registaram-se 12 mortes. Em pelo menos dois casos a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) associou o desfecho a atrasos no socorro.
Noutros casos, a IGAS diz que não foi possível estabelecer nexo de causalidade entre a demora e o desfecho fatal, alegando que as probabilidades de sobrevivência seriam bastante limitadas atendendo ao quadro clínico do utente.
Em declarações esta quinta-feira aos deputados, Miguel Soares de Oliveira repudia esta posição, sublinhando: "O INEM não pode atuar tendo em consideração quem tem mais ou menos probabilidade de sobrevivência".
Sobre a gestão das greves do INEM em final de outubro e início de novembro de 2024, que afetaram a prestação de socorro por parte do instituto, o responsável disse que, até então, "não havia plano de contingência" para responder a casos como o que aconteceu naquele ano. "Hoje os portugueses podem ficar descansados porque o plano de contingência que foi desenhado naquela altura e, depois, otimizado, não se esgotou. (...) Mantém-se pronto e preparado a ser ativado em causa de eventual necessidade", afirmou, explicando que ajudou na altura a direção do INEM a desenhar o plano que ajudou a responder à falta de meios por causa da greve.
Apontou o dedo ao departamento de recursos humanos do INEM na altura da greve, falando de uma "completa ignorância sobre os mecanismos legais que a administração pública tem para reduzir o impacto da greve sem coartar o direito a greve".
"Até na greve às horas extra deveriam ter sido decretados serviços mínimos", disse, acrescentando: "Não atuar diminuiu a capacidade de mitigar efeitos da greve, nomeadamente com medidas como os serviços mínimos, que poderiam reduzir o impacto da greve".
Miguel Soares de Oliveira, que presidiu ao INEM entre 2010 e 2013, disse ainda não concordar com parte do relatório da Comissão Técnica Independente para a refundação do instituto e criticou o facto de o documento estar a ser usado "de forma instrumental".
"Quando dá jeito adotar medidas, é o bode expiatório, mas quando não dá jeito, passa-se ao largo", afirmou, dando como exemplo os casos da formação e competências dos Técnicos de Emergências Pré-Hospitalar, que a comissão considerou que deveriam ser reforçadas. "Este Conselho Diretivo está a diminuir [ao retirar a formação dos TEPH das escolas médicas], no entanto, apregoa o relatório da CTI como grande motor da mudança", exemplificou.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.