Conferência Episcopal Portuguesa terminou esta quinta-feira em Fátima.
Os bispos católicos portugueses manifestaram esta quinta-feira "plena comunhão e solidariedade" com o Papa Leão XIV, por ocasião da sua viagem a África, "num tempo de tensões e incompreensões no plano internacional".
O comunicado final da assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que terminou esta quinta-feira em Fátima, começa por referir que o Papa iniciou na segunda-feira "a sua viagem apostólica a África, levando uma palavra clara de denúncia da corrupção e um apelo firme à construção da paz em contextos marcados pela violência e pela injustiça".
"Num tempo de tensões e incompreensões no plano internacional, a assembleia manifesta plena comunhão e solidariedade com o Santo Padre e acolhe o seu testemunho corajoso como peregrino da paz ao serviço de uma convivência fraterna entre os povos assente na justiça e na dignidade de cada pessoa", adianta o comunicado, lido pelo secretário da CEP, padre Manuel Barbosa.
Para a Igreja Católica portuguesa, "o Papa fala com a autoridade do evangelho e convida todos os crentes e não crentes a construir caminhos de diálogo, reconciliação e fraternidade".
Na segunda-feira, o Presidente dos Estados Unidos afirmou que o Papa é "terrível em política externa", aludindo às críticas de Leão XIV sobre o Irão e a Venezuela, e instou-o a "deixar de agradar à esquerda radical".
"O Papa Leão é FRACO em relação ao crime e péssimo em política externa", escreveu no domingo à noite [segunda-feira em Lisboa] Donald Trump na rede Truth Social, da qual é proprietário, numa longa mensagem em que insta o religioso a "concentrar-se em ser um grande papa, não um político", porque "está a prejudicar a Igreja Católica".
"Não quero um Papa que ache que está bem o Irão ter uma arma nuclear. Não quero um papa que considere terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela (...). E não quero um papa que critique o Presidente dos Estados Unidos quando estou a fazer exatamente aquilo para que fui eleito", declarou.
No mesmo dia, Leão XIV declarou "não ter medo" do Governo norte-americano e sentir "um dever moral" de se manifestar a favor da paz.
No avião que o levava de Roma para Argel, a primeira paragem de uma viagem de 11 dias por quatro países africanos, o líder religioso acrescentou, aos jornalistas que o acompanhavam, não ter "qualquer intenção de entrar em debate" com Donald Trump.
"Não tenho medo, nem da administração Trump, nem de falar alto e claro sobre a mensagem do evangelho", disse Leão XIV, acrescentando que a sua mensagem "é sempre a mesma, promover a paz".
Leão XIV disse ainda que "a Igreja tem o dever moral de se manifestar muito claramente contra a guerra", sublinhando a importância de regressar ao caminho da diplomacia.
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