page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Hospital de São João cria consulta para estimular perdas cognitivas de doentes com AVC

São internados anualmente no Hospital de São João cerca de 1 200 a 1 400 doentes com AVC.

29 de outubro de 2021 às 07:30

O Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), no Porto, criou uma consulta de reabilitação cognitiva que visa "estimular" e "compensar as perdas" de funcionalidade dos doentes como consequência de doenças como a Doença Vascular Cerebral (AVC).

A criação da consulta de reabilitação cognitiva surge da identificação de uma "lacuna" no programa integral de medicina física e reabilitação do Hospital de São João, revelou hoje o diretor daquele serviço à Lusa.

"Faltava uma área também muito importante que é a reabilitação cognitiva em pessoas que sofrem alterações neuropsicológicas no contexto de várias patologias do sistema nervoso central", afirmou João Barroso, elencando, entre as várias complicações, a Doença Vascular Cerebral (AVC), que hoje se celebra.

Anualmente, no Hospital de São João são internados cerca de 1.200 a 1.400 doentes com AVC, sendo que destes, metade são internados em Unidades de AVC.

À Lusa, João Barroso referiu que do total de doentes com AVC internados no CHUSJ, cerca de 20% apresentam perdas de funcionalidade, ainda que tal, "dependa da localização da lesão cerebral".

O intuito da consulta, implementada há um mês, é o de estimular e recuperar as funcionalidades cognitivas do doente, seja ao nível da atenção, memória, linguagem, funções executivas ou calculo.

"Os doentes são observados e quando têm um défice de atenção, memória, linguagem, cálculo ou funções executivas são encaminhados e estimulados para integrar este programa", afirmou o clínico, lembrando que a reabilitação precoce destas mazelas é "crucial".

"Após um AVC é muito importante fazermos a estimulação o mais precoce possível e era a dificuldade que encontrávamos. Agora, com a reabilitação cognitiva temos esse apoio", observou João Barroso.

Por sua vez, Cláudia Sousa, coordenadora da unidade de neuropsicologia do CHUSJ, esclareceu que a admissão dos doentes é feita com base numa avaliação dos défices cognitivos.

Depois desse momento, é desenhado um "programa de estimulação" para o doente que, mediante a evolução e circunstâncias, vai sendo adaptado e seguido pelas equipas médicas.

 Em cada consulta semanal, que pode durar entre 45 e 60 minutos, o doente defronta-se com uma série de exercícios e jogos que visam, sobretudo, treinar os vários domínios: memoria, orientação, funções executivas e linguagem.

"Usamos estratégias em todas as áreas mesmo naquelas em que o doente não tem défice, para que ele não se sinta frustrado, porque se só trabalharmos as dificuldades, vai achar que está completamente derrotado e também falamos com a família para perceber os gostos dos doentes", sublinhou.

À Lusa, Cláudia Sousa assegurou que se consultas de reabilitação cognitiva já faziam falta anteriormente, com a pandemia da covid-19, "ainda fazem mais", até porque alguns dos doentes internados com o SARS-CoV-2 também apresentam queixas cognitivas.

Até ao momento, já foram avaliados e, consequentemente, estimulados na consulta de reabilitação cognitiva 15 doentes e o Hospital de São João espera iniciar a consulta em regime de ambulatório na próxima semana.

Em Portugal, são internados nos hospitais públicos, por ano, cerca de 23.000 a 25.000 doentes com AVC. Anualmente, morrem perto de 6.000 pessoas vítimas da doença.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8