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Correio da Manhã

Sociedade
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Novo tratamento contra o cancro do sangue

Terapia só é aplicada a doentes com leucemia ou linfoma. A taxa de sucesso é de 40%.
Ana Silva Monteiro 17 de Maio de 2019 às 08:28
Células são enviadas para os EUA
IPO do Porto
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IPO do Porto
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IPO do Porto
Olávia Castro, de 39 anos, foi a primeira doente portuguesa a ser submetida a uma terapêutica inovadora contra o cancro do sangue. O procedimento foi realizado na terça-feira, no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto.

Este tratamento só pode ser aplicado a dois tipos de cancro - linfomas e leucemias - e em pacientes cuja doença não esteja controlada, mesmo depois de submetidos a todas as terapêuticas convencionais.

"Este tratamento ainda não pode ser administrado a todos os doentes. Não sendo excecional, é bastante melhor do que o que tínhamos até agora. Há pacientes em que a terapia vai falhar, infelizmente, mas cerca de 40 por cento vão estar curados ou com a doença controlada ao fim de dois anos", explicou ao CM José Mário Mariz, diretor da Clínica de Onco-Hematologia do IPO do Porto.

Realizado o tratamento, a doente tem que ficar cerca de 15 dias internada. "Nos primeiros dias é importante que a paciente seja vigiada. A terapêutica pode ter efeitos adversos, como febre, baixar os níveis da tensão arterial, falência dos órgãos e, em casos mais graves, atingir o cérebro. Claro que esperamos que isso não venha a acontecer", concluiu.

O tratamento representa, para todos os pacientes com cancro do sangue, uma nova esperança. Olávia Castro já tinha sido submetida a todos os tratamentos convencionais, mas sem sucesso.

O médico acredita que esta terapêutica vai ajudar no controlo da doença.

Células são geneticamente modificadas
A grande inovação deste tratamento contra o cancro no sangue passa pela utilização de células geneticamente modificadas.

"O procedimento, numa primeira fase, consiste na colheita de células no doente que são enviadas para um laboratório nos Estados Unidos da América (EUA), sendo depois processadas e manipuladas geneticamente", disse José Mário Mariz.

Este procedimento demora cerca de 4 semanas a realizar. Só depois é que as "células modificadas, capacitadas para destruir as células tumorais", são introduzidas no doente, explicou. 

Oito doentes vão ter terapia grátis
Apesar do custo do tratamento ser avultado, oito doentes vão ter direito a uma terapia gratuita. "No próximo mês já está marcado o tratamento a mais um doente", disse Laranja Pontes, presidente do Conselho Administrativo do IPO do Porto.

SAIBA MAIS 
350 mil €
é o custo da terapêutica por cada doente, segundo o Ministério da Saúde. Ainda assim, em comunicado, o Governo esclarece que está em curso o "processo de avaliação farmacoeconómica".

Novo estudo português
Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra demonstrou que regular os processos de reciclagem e controlo de células estaminais poderá ter um grande impacto na medicina regenerativa e na luta contra o cancro. O estudo foi publicado na revista ‘Autophagy’.
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