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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Pilotos contra pacote de "retrocesso social enorme" esperam que ministra do Trabalho recue

Líder do sindicato salientou que algumas das alterações na legislação laboral poderão "pôr em causa a segurança das operações, devido ao aumento da precariedade".

20 de novembro de 2025 às 12:11

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) manifestou-se esta quinta-feira "totalmente contra" o anteprojeto do Governo de revisão da legislação laboral, considerando que representa "um retrocesso social enorme", e tem esperança de que a ministra do Trabalho recue.

"Somos totalmente contra esta revisão ao pacote laboral, acreditamos que ela representa um retrocesso social enorme, em apenas uma revisão do pacote legislativo anulam-se conquistas e direitos dos trabalhadores ao longo de vários anos", afirmou o presidente do SPAC, Hélder Santinhos, em declarações à agência Lusa.

O líder do SPAC salientou que algumas das alterações que a ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, quer introduzir na legislação laboral afetam também os pilotos e poderão mesmo "pôr em causa a segurança das operações, devido ao aumento da precariedade".

"A ministra agora pretende implementar medidas inspiradas em modelos nórdicos de flexibilidade no trabalho, mas sem a segurança equivalente que esses países nórdicos têm, por força de salários mais altos e também de proteções sociais mais elevadas", realçou Hélder Santinhos.

Para o responsável, o problema da economia portuguesa não está nos direitos do trabalhador, mas sim nos "impostos excessivos" aplicados às empresas que, por isso, "não conseguem pagar salários dignos".

Quanto à greve geral convocada pelas centrais sindicais CGTP e UGT, para 11 de dezembro, o SPAC mantém "alguma esperança que a ministra do Trabalho dê um passo atrás para a seguir dar dois para a frente, ou seja, que inicie as negociações da forma certa, não à força e à bruta como tentou fazer".

Se tal não acontecer, acrescentou, será convocada uma assembleia de pilotos para decidir sobre a adesão, ou não, à paralisação.

A greve geral de 11 de dezembro foi anunciada pelo secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, no final da marcha nacional contra o pacote laboral, em 08 de novembro, que levou milhares de trabalhadores a descer a Avenida da Liberdade, em Lisboa, em protesto contra as alterações propostas pelo Governo de Luís Montenegro.

Dias depois, a UGT aprovou por unanimidade a decisão de avançar em convergência com a CGTP, incluindo, assim, o voto favorável dos Trabalhadores Social-Democratas (TSD).

Esta será a primeira paralisação a juntar as duas centrais sindicais, desde junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da 'troika'.

As alterações previstas na proposta que o Governo apresentou em 24 de julho como uma revisão "profunda" da legislação laboral, e que preveem a revisão de mais de uma centena de artigos do Código de Trabalho, visam desde a área da parentalidade (com alterações nas licenças parentais, amamentação e luto gestacional) ao trabalho flexível, formação nas empresas ou período experimental dos contratos de trabalho, prevendo ainda um alargamento dos setores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve.

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