SMN apelou à criação de condições que ajudem a fixar profissionais nesta região.
O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) alertou esta segunda-feira para a falta de médicos na Unidade Local de Saúde, sediada em Vila Real, e apelou à criação de condições que ajudem a fixar profissionais nesta região.
"O que nós percebemos é que há muita falta de médicos aqui na ULS Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), não só a nível hospitalar, mas também dos médicos de família. E, acima de tudo, é preciso que também haja condições para que os médicos queiram aqui ficar", afirmou Joana Bordalo e Sá, presidente do SMN.
Inserida na iniciativa "Caravana FNAM 2026", da Federação Nacional dos Médicos, decorreu esta segunda-feira uma reunião, no hospital de Vila Real, sede da ULSTMAD, que juntou cerca de 50 clínicos.
Após o encontro, o sindicato chamou a atenção para a falta de médicos neste território, os problemas que afetam estes profissionais e os "constrangimentos significativos no acesso a cuidados diferenciados" pelos doentes.
"Percebemos que há médicos, nomeadamente de medicina interna, que fazem trabalho extraordinário e que, pura e simplesmente, não está a ser pago. Isto é absolutamente inaceitável", salientou Joana Bordalo e Sá.
Referiu ainda que os "colegas também não são avaliados e, portanto, não progridem" e ficam "no mesmo escalão anos e anos e anos a fio", situações que disse que levam ao abandono do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou à emigração.
"A própria ULS não cumpre com direitos básicos que têm a ver com pagamento justo e correto de trabalho extraordinário e também da questão da progressão que tem que acontecer", resumiu.
O SMN apontou preocupações a nível dos serviços hospitalares, onde, segundo exemplificou, "doentes com patologia cardíaca continuam a ser encaminhados para o litoral, nomeadamente para a região do Porto, para intervenções que hoje podem ser realizadas por via percutânea --- sem cirurgia aberta --- como acontece nos procedimentos de hemodinâmica".
"Este era um procedimento relativamente simples, não precisa de cirurgia aberta, podia ser feita perfeitamente aqui no hospital de Vila Real se houvesse também os médicos para o fazer", realçou Joana Bordalo e Sá.
Mas as preocupações do SMN são também em relação aos cuidados de saúde primários.
Segundo dados do sindicato, em 2024 foram solicitadas 24 vagas para médicos de família, tendo sido abertas apenas 15 e, em 2025, o "cenário agravou-se", pois das 28 vagas propostas pela ULSTMAD, a tutela disponibilizou apenas 10 lugares, existindo cerca de "16 mil utentes sem médico de família numa área que abrange cerca de 20 concelhos".
"Ora bem, isto faz com que também haja médicos que são formados aqui, que são daqui, que querem estar na sua região a trabalhar e a dar o melhor à sua população, mas infelizmente o Ministério da Saúde de Ana Paula Martins insiste em não abrir as vagas todas necessárias de médicos de família", acusou Joana Bordalo e Sá.
Acrescentou que é a "própria ministra que está a empurrar os médicos para fora do SNS" e que isto, no interior, é "muito flagrante".
Questionada sobre o mestrado integrado em Medicina, que abre na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) no ano letivo 2026/27, pode ajudar a melhorar a falta de médicos no interior, Joana Bordalo e Sá respondeu: - "Onde quer que eles se formem, seja no litoral, seja no interior, não adianta formar mais médicos se depois não os conseguem garantir no SNS".
Para a dirigente, "isso só se faz se as condições de trabalho forem dignas, se os salários forem justos, se as pessoas tiverem a possibilidade de conseguir conciliar a sua vida profissional com a sua vida pessoal, terem a expectativa de progredirem, de conseguirem fazer uma carreira, de serem tratadas com dignidade".
O que, disse, "não está a acontecer por culpa" do Governo de Luís Montenegro e da administração da ULSTMAD, que agrega ainda os hospitais de Chaves e Lamego.
A Lusa pediu uma reação à ULS, que ainda não respondeu.
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