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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Não há nada para celebrar!

De efemérides Pedro Abrunhosa não quer nem ouvir falar.

01 de dezembro de 2018 às 00:30

Viagens... De efemérides Pedro Abrunhosa não quer nem ouvir falar. Para o ano, o disco com o qual se estreou em 1994, ‘Viagens’, faz 25 anos, mas para o músico não há motivos para comemorar. Se passar ao lado melhor.

"É precisamente pelo facto do ‘Viagens’ fazer 25 anos em 2019 que estou a lançar um novo disco agora. É para não ter de fazer nada. Nunca fui modesto em relação ao meu trabalho, mas que razões é que há para andar a celebrar?", questiona. "Eu não sou nada ligado a estas efemérides. Em vez que comemorar o passado, quero é celebrar o futuro.

Daqui a 25 anos havemos de estar a falar sobre como não comemorar os 25 anos deste novo disco. Aliás, eu já estou é a pensar no próximo. Até já sei como é vai ser". A caminho dos 58 anos, cita Paul Simon, "we are getting older, but that’s not unusual’, e diz que é no palco que se encontra.

A última digressão já ía com quatro anos, quando Pedro Abrunhosa se viu obrigado a abrandar o ritmo dos concertos para escrever novas canções. O novo disco foi gravado à moda antiga, com todos os instrumentos captados ao mesmo tempo num verdadeiro trabalho de ‘relojoaria’ ou ‘pura filigrana’, como diz. Segue-se agora a estrada e o palco.

"Os autores de canções não são como os autores de livros. O autor de um livro, lança-o e fica em casa. Pode ir à feira do livro dar uns autógrafos, mas a maior parte do tempo fica em casa. O músico não. Escreve o disco, a seguir vai para cima do palco e adeus família, desaparece".

Um dos próximos espetáculos está prometido para a avenida dos Aliados, no Porto, na passagem de ano, um sempre regresso a casa que é também um recuperar do tempo perdido. "Eu tenho 57 anos e só fiz os Aliados uma vez", começa por dizer.

"É que antes do Rui Moreira, o que existia era um buraco negro. O passagem de ano nos Aliados são uma invenção de Rui Moreira e tem quatro anos. Antes não havia celebração. Era a Idade Média".

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