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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Mónica Sintra: "Receio que os fantasmas voltem"

Grávida de sete meses, a cantora mostra-se ansiosa por conhecer Duarte. Ao lado de Sérgio, com quem reatou um namoro antigo, vive uma das melhores...

02 de outubro de 2010 às 10:30

Grávida de sete meses, a cantora mostra-se ansiosa por conhecer Duarte. Ao lado de Sérgio, com quem reatou um namoro antigo, vive uma das melhores fases da sua vida e depois de o bebé nascer planeiam juntar-se. O problema da anorexia já pertence ao passado mas Mónica continua "alerta" e evita a balança.

- Está a dois meses de ser mãe. Como é que se sente?

- Sinto-em ansiosa. Quero muito ver o bebé, tê-lo em casa e poder desfrutar dos momentos com ele, embora esteja a gostar da gravidez.

- E como se tem sentido fisicamente?

- Muito bem. Custou-me mais aqueles dias de Verão, de muito calor. Por norma, já tenho a tensão muito baixa, então senti-me um pouco cansada.

- Já pensa muito no momento do parto?

- Ainda não pensei muito nisso. Às vezes falo com amigas que já foram mães mas só ouço as experiências boas, quando começam a contar as más não quero saber. Acredito que vá ter algum receio mas ainda não me assombrou.

- Se puder, vai ser um parto normal?

- Sim, se puder vai ser. As coisas têm de seguir uma ordem natural mas se não puder ser tudo bem.

- Faz questão de ter o Sérgio junto a si nesse momento?

- Se pudesse tinha o Sérgio e a minha mãe. Como não é possível, acho que também é importante para ele estar presente. Para mim também vai ser bom sentir que ele está lá e que estamos a viver aquele momento a três.

- Ele também está ansioso pelo momento do parto?

- Nós não falamos muito sobre isso. Falo mais com as minhas amigas. Nessa troca de experiências ele nem sempre está presente. A única coisa que já falámos e decidimos foi que ele iria assistir. Estamos ansiosos. Embora esteja previsto que o bebé nasça a meio de Dezembro, gostaríamos de que ele chegasse um bocadinho antes.

- Vai ser um Natal mais especial...

- Já pensei nisso. A minha família não é numerosa mas neste ano vai ser. Dos poucos que somos, vamos todos juntar-nos. Desta vez, em princípio, será na minha casa. O Natal será dias depois de o bebé nascer, por isso vai ser especial. Vai ser marcante. Aliás, todo o ano foi marcante.

- Além de ser o seu primeiro Natal com o Duarte, vai ser também o primeiro com o Sérgio.

- Ainda não definimos isso. Fará sentido ser com ele e com a família dele.

- Sabe bem ser mais mimada por toda a gente nesta fase?

- Não tenho sido mais mimada, tenho é tido mais atenções extra. As pessoas dizem para eu descansar mais, para me alimentar, tomar as vitaminas... Os nossos pais acabam por achar que somos eternas crianças, por isso, independentemente de eu estar quase a ser mãe, a minha mãe cuida de mim como se eu tivesse três, quatro anos.

- E o seu companheiro é muito atencioso e preocupado?

- Ele é muito prático. Como tenho passado uma gravidez muito boa, não tem havido essa necessidade. Mas obviamente que está presente, vai a todas as consultas comigo, sempre que eu preciso de alguma coisa ele é o primeiro a prontificar-se.

- A Mónica já disse que não quer morar com ele só porque está grávida...

- Sim, não faz sentido dizer que vou morar com ele só porque estou grávida. Claro que, a partir do momento em que o bebé nascer, podemos morar juntos. Actualmente, estamos a viver na casa de ambos: às vezes ele está na minha casa, outras eu estou na dele. É normal que, a partir do momento em que o bebé nasça, haja uma casa fixa e, então sim, vivamos juntos. É uma coisa que acontece naturalmente, senão nós não projectávamos em conjunto o quarto e seria só eu a fazer as coisas.

- E vão ficar na sua casa ou na dele?

- Vai ser na minha casa, neste momento, por uma questão de logística. No futuro, logo veremos. Temos que encontrar um equilíbrio. Ainda não moramos juntos por uma questão de trabalho e de horários.

- Não foi uma gravidez planeada. Como é que reagiu à notícia?

- Foi um misto de emoções. No início, pensei: "Não acredito que isto me aconteceu agora e a mim." Depois achei que se tinha andado tanto tempo a adiar a maternidade é porque tinha de ser nesta altura. Quando programamos muito as coisas, elas não se concretizam, se deixarmos as coisas fluírem acabam por acontecer numa altura boa. Em termos sentimentais, penso que também foi com a pessoa certa e na altura ideal.

- Quem foi a primeira pessoa a quem contou?

- Foi ao Sérgio, claro. No início ficou surpreendido mas depois ficou muito feliz.

- Optaram pelo nome Duarte para o bebé. Foi uma tarefa difícil?

- Tínhamos dez nomes para rapaz e dez para rapariga. Quando soubemos que era rapaz, passámos de dez para cinco e depois para dois. Deixei o Sérgio escolher, e fiquei feliz com a opção.

- Tinha alguma preferência pelo sexo?

- Não, já que gostava de ter mais filhos. Se calhar, na segunda ou terceira gravidez vou ter preferência.

- Vai fazer questão de baptizar o bebé pouco após o nascimento?

- Acho mais bonito o baptismo quando o bebé já tem mais percepção do que está a acontecer. Não é que vá perceber o acto em si mas já está mais acordado durante a cerimónia.

- Como é que tem lidado com as transformações do seu corpo?

- Tenho lidado como qualquer mulher grávida lida. É estranho, no primeiro momento, perceber que as coisas nos deixam de servir. De repente, o armário está cheio e nada me serve. É uma questão de adaptação. Tenho gostado uns dias mais, outros menos...

- Disse que evita a balança...

- Acho que há uma pressão muito grande sobre todas as mulheres e sobre as grávidas. E parece que o tema central da gravidez é o peso, e não deve ser. Cada mulher tem uma estrutura diferente. Tudo bem, há um peso ideal a atingir na gravidez, mas nem todas as mulheres já vão para a gravidez com o peso ideal. Quando digo que tenho alguma dificuldade em subir à balança é porque receio que os fantasmas do passado voltem. Por isso, não faço da balança um acto diário. Peso-me apenas quando vou à médica.

- Gosta de ver-se ao espelho?

- Sim. Gosto mais de usar roupas em que se nota claramente a barriga do que roupas largas, em que não é assim tão perceptível a gravidez.

- O problema de anorexia que viveu já está completamente ultrapassado?

- Um problema de distúrbio alimentar nunca é resolvido, é tratado naquela altura mas a pessoa ou se controla muito bem mentalmente, ou tem de ter alguma ajuda durante o resto da sua vida. É um problema que está adormecido. Neste momento não faz parte da minha vida mas, como é lógico, tenho alguns cuidados. Tenho noção dele e estou alerta.

- Não, confesso que na altura só pensei em comê-los [risos]. O alimento da minha gravidez são os figos. Não há volta a dar.

- Já tive de romãs, de bolas de Berlim na praia e de sushi.

- Já tenho a cama, a cómoda e os cortinados. Agora é só montar o quartinho e tratar dos pequenos pormenores, porque os grandes já estão.

- Idealizei. Já há muito tempo que queria ser mãe. Por circunstâncias pessoais ou profissionais fui adiando. Mas imaginei-me muito neste papel.

- Namorou com o Sérgio no passado. Como é que foi a vossa reaproximação?

- Nós nunca estivemos afastados, sempre estivemos na vida um do outro como amigos. Neste momento estamos predispostos a dar uma oportunidade um ao outro e a reatar aquilo que, se calhar, nunca tínhamos perdido em termos emocionais. Redescobrimos o amor...

- Entretanto, no Verão passado viveu uma paixão com um fã que não correu bem.

- Quando estamos numa relação e a assumimos é porque estamos a conhecer a pessoa, só depois é que vivemos juntos. Estava a conhecê-lo e tanto ele como eu vimos que o nosso caminho não era juntos. Somos amigos neste momento.

- Já parou com os espectáculos?

- Os meus a solo, sim, só faço coisas pontuais. Mas ainda vou estar com o projecto Coração Português até Novembro. Enquanto achar que tenho energia...

- Para quando o próximo álbum?

- Já estou a recolher músicas e, em princípio, entrarei em estúdio antes de o bebé nascer. Gostava de experimentar a sensação de gravar com o bebé na minha barriga. Estou a trabalhar, mais uma vez, com o Menito Ramos e estamos a aproveitar esta fase da minha vida para escrever algumas coisas bonitas. Gostava de lançar o álbum em Março ou Abril. Depois de o bebé nascer, gostava de focar a minha atenção nele.

- Vai haver uma música dedicada ao Duarte?

- Sim. Já existe, e é das minhas músicas favoritas. Estou muito ansiosa por gravá-la e por poder mostrá-la. Ainda nem o Sérgio viu. Eu só mostro as músicas depois de gravá-las com a minha voz. Acredito que o Sérgio vá gostar muito do tema.

- Entretanto, está a fazer um estágio em Terapia da Fala...

- Ainda continuo no primeiro ano de Terapia da Fala. Tem uma componente muito prática e eu tenho algumas limitações em termos de horário, por isso tenho deixado algumas cadeiras para trás. Estou a fazer o estágio para em Dezembro estar liberta para o bebé. Neste ano vou inscrever-me em menos cadeiras, mas é importante continuar porque eu gosto imenso do curso. Tem a ver com a minha vida profissional e é uma mais-valia no futuro. Hoje canto, quero cantar para sempre, mas não sei o dia de amanhã.

- Eu já tenho o plano A, B, C, D. Tenho imensos planos. Por acaso com a gravidez até pensei parár um ano a faculdade, mas preferi fazer menos cadeiras, mantendo-me sempre activa. Se a minha carreira na música correr mal será porque o público deixou de gostar de mim ou porque tive um problema vocal. De resto não deixarei a música.

Casar faz parte dos planos?

- Nao sei. Já passei pela fase de querer muito mas, neste momento, acho que não é relevante. Continuo a achar bonita a cerimónia em si, pelo facto de juntar as famílias.

INTIMIDADES

- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?

- O Duarte. Significaria que ele já estava cá fora.

- Não consigo resistir a...

- ... figos.

- Se pudesse, o que mudava em si, no corpo e no feitio?

- No feitio, deixava de ser tão impaciente. Fisicamente, gostava de ser mais alta.

- Sinto-me melhor quando...

- Estou em casa a ouvir música muito alto.

- O que não suporta no sexo oposto?

- Não ouvirem o que as mulheres dizem e fazerem um ar de que estão a perceber tudo.

- Qual é, entretanto, o seu pequeno crime diário?

- Julgo que não tenho ‘pequenos crimes diários'. Só se for comer imensos figos.

- O que é que seria capaz de fazer por amor?

- Era capaz de fazer tudo por amor, sendo que esse amor abrange também a minha família e não só o meu companheiro.

- Complete. A minha vida é...

- ... quase perfeita. Falta só o Duarte nascer.

PERFIL

Mónica Sintra tem 32 anos e é cantora. Em 1995, lançou o seu primeiro disco, intitulado ‘Tu És o Meu Herói'. Seguiram-se grandes sucessos como ‘Afinal Havia Outra' e ‘Na Minha Cama com Ela'. Actualmente, está ligada ao projecto Coração Português, ao lado de Romana, José Alberto Reis e Pedro Camilo, que visa mostrar os grandes êxitos da música portuguesa.

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