Fadista sobe ao maior palco do país, dia 7, para apresentar o disco 'Tempestade' exclusivamente escrito por mulheres.
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Esta Sara é uma mulher muito mais madura, mais crescida e com muito mais certezas. Sinto que a minha força enquanto mulher é muito maior do que aquela que tinha há vinte anos. Hoje entendo muito melhor as capacidades que a mulher tem. Embora estas "mil mulheres" não seja só sobre mim, é também sobre esta Sara que se consegue transformar em tantas outras. Por todo o meu percurso e por todas as coisas que ultrapassei, hoje sou uma mulher mais corajosa e destemida.
Essa Sara de faca na liga existe sempre. Eu descobri que sou sempre intensa, que sou sempre esta força que às vezes nem sei explicar, mas também descobri que por baixo desta tempestade, tenho uma parte mais calma. Acho que isso se chama maturidade.
É curiosa. Sinto que, antigamente, em situações que não conseguia controlar, eu explodia logo e fugia para um 'lugar' que me fazia mal. Mas hoje em dia olho para as coisas sempre com uma solução. E isso trouxe-me paz e também ajuda muito ao meu canto.
Eu sempre cantei poemas de homens e mulheres mas nunca tinha feito esta experiência. Este disco é uma junção de muitas mulheres e de muitas forças diferentes como resultado de um processo de descoberta muito minha e do meu produtor Diogo Clemente. Estas mulheres foram incriveis porque conhecem a artista e a mulher e foi fácil encontrar um caminho.
O Diogo conhece-me desde os três anos, dentro do fado e das coletividades, foi um grande amigo da minha tia que também cantava. Um artista não se faz sozinho. Neste caso o Diogo acho que é o homem que melhor sabe falar sobre as mulheres.
(Risos). Isto já é noticia para toda a gente. Mas sim estou num momento muito bom da minha vida e ainda bem porque todos nós merecemos isso.
Eu sou muito feliz porque faço o que mais gosto. Sou muito grata e mesmo em momentos em que estou mais cansada, quando subo a um palco e olho as pessoas de frente, tudo isso passa. A vida pode estar a correr rápida mas é por um bom motivo.
Eu acho que os adultos têm sempre de manter vivo o lado da criança, porque se não isto torna-se muito sério e deixa de ter piada. Mesmo em palco, eu sou muito séria a cantar, mas também tenho os momentos de brincar com o meu público. Eu continuarei sempre a ser de Chelas e às vezes apetece-me ser aquele miúda de 12 anos no largo ao pé de minha casa a pedir aos amigos para jogar à bola. Eu quero limar-me e acho que tenho conseguido, mas não quero deixar de ser aquela pessoa.
Eu espero que olhem para mim como uma esperança: Ela conseguiu alcançar o sonho dela.
Há coisas profundas que às vezes nem consigo explicar, mas neste momento estou mais focada nas coisas positivas. O fado é a minha terapia. O facto de cantar as minhas dores também me ajuda muito a dar a volta a essas coisas. Eu estou de braço dado com a dor há muitos anos, porque sou fadista. Às vezes é dificil explicar isto às pessoas, mas desde os 9 anos que canto coisas que doem na alma. Mas também por isso sinto que tenho um paz interior em relação à dor. Como falo tantas vezes nela e tenho esta benção de fazer a minha terapia enquanto canto, torna as coisas mais leves.
Eu já na barriga da minha mãe estava neste meio do fado. O fado era um irmão dentro da minha casa. Era o meu destino e quanto mais olho para trás mais me convenço. E acho que foi ele que me escolheu. Eu comecei a cantar a ouvir as cassetes da minha tia. A minha avó metiam as cassete a tocar e eu cantava por cima. Um dia fui bater à porta da escola de fado para pedir para cantar, sem a minha mãe, sem nada (risos). Tive quem pegasse no meu braço e me levasse para o palco, que foi o senhor Armando Tavares. E foi assim que tudo começou.
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