Candidato presidencial considera que o Governo deveria condenar "violação tão brutal e tão grosseira do direito internacional".
O candidato presidencial António Filipe considerou este domingo que "envergonha o país" e é de uma "arrogância intolerável" a posição do ministro dos Negócios Estrangeiros sobre o ataque norte-americano à Venezuela, condenando-a com "muita veemência".
"Acho que envergonha o nosso país que o Governo de Portugal não tenha uma palavra de condenação perante uma violação tão brutal e tão grosseira do direito internacional. Um Governo que não condena esta violação do direito internacional não tem autoridade política ou moral de espécie nenhuma para invocar o direito internacional, seja em que circunstância for", afirmou António Filipe, após um contacto com apoiantes no Barreiro, distrito de Setúbal.
O candidato apoiado pelo PCP e PEV já condenara no sábado o ataque dos Estados Unidos da América (EUA), mas este domingo quis voltar ao tema, depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, ter defendido "uma solução que traga democracia e estabilidade" à Venezuela, admitindo como preferível que o antigo candidato da oposição Edmundo González Urrutia assuma a presidência, "a prazo".
Para António Filipe, a "reação do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, do Governo português, é profundamente lamentável e exige" que tome posição relativamente a ela.
"Quando o próprio presidente Donald Trump assume que o seu objetivo é apropriar-se dos recursos naturais, especialmente do petróleo da Venezuela, vir o ministro dos Estrangeiros de Portugal dizer que os seus propósitos são benignos, eu acho que é um insulto à inteligência dos portugueses e é algo que nos deve envergonhar enquanto país soberano e, portanto, eu condeno com muita veemência esta posição tomada pelo governo português", afirmou António Filipe.
Para o candidato presidencial, a posição de Paulo Rangel sobre um novo Governo venezuelano "é de uma arrogância intolerável".
"Porque não é Portugal, não é nenhum país do mundo, que decide quem é o presidente de um país soberano como é a Venezuela, goste-se ou não de quem exerce o poder na Venezuela, mas têm de ser os venezuelanos a tomar essa decisão e nunca o governo português", frisou o ex-deputado na Assembleia da República.
Para António Filipe, a posição do Governo português também "não contribui em nada para a defesa da comunidade portuguesa na Venezuela".
"Entre portugueses nacionais e lusodescendentes estamos a falar de centenas de milhares de pessoas e o que deve ser do interesse nacional é que haja uma situação de estabilidade, de tranquilidade na Venezuela, que foi obviamente quebrada por esta intervenção e, portanto, eu creio que se exigia, no mínimo do Governo português, haver uma defesa do direito internacional e uma condenação de uma violação tão grosseira como aquela que se verificou e está a verificar neste momento", salientou.
Os Estados Unidos lançaram no sábado "um ataque em grande escala contra a Venezuela", para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
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