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Cobras, recolha de ADN e tiros nas pernas: as medidas dos EUA para travar os imigrantes ilegais

Trump quer amostras de ADN de todos os imigrantes ilegais, mas medida pode afetar até quem é cidadão norte-americano.
Sofia Martins Santos 4 de Outubro de 2019 às 11:56
Fronteira
Fronteira FOTO: EPA

Os EUA vão passar a recolher, na fronteira com o México e nos centros de detenção, amostras de ADN de cada uma das pessoas que entrarem no país sem documentos. Além da recolha, a polémica medida prevê que a informação genética possa ficar guardada numa base de dados que, até agora, servia apenas para investigação criminal.

A medida, que vai ser aplicada nos cerca de 200 centros de detenção existentes, está a causar tensão e muita indignação por ser uma ameaça grave à privacidade de centenas de milhares de pessoas.

Ainda que se esteja a falar de uma lei que foi aprovada em 2005 por fazer parte de um pacote de medidas contra a violência doméstica, sempre foram aplicadas exceções. A administração de Barack Obama entendeu que era necessário ter em conta que este tipo de vigilância generalizada poderia acabar por afectar cidadãos norte-americanos. Uma das situações que causou receios desde início foi a possibilidade de abranger pessoas que acabam, por erro, envolvidas em processos de imigração ilegal. Ou seja, até aqui, nos casos em que a única questão era o imigrante ter entrado no país sem documentos, os dados não eram recolhidos. Agora, Trump quer mudar isso e garantir que as exceções deixam de existir.

A ideia é que a base de dados deixe de ter apenas os perfis genéticos de pessoas que tenham sido detidas ou condenadas por crimes muito graves. No entanto, a intenção de Trump tem estado a fazer estalar o verniz no seio de várias associações ligadas aos direitos humanos. A União Americana pelas Liberdades Civis foi das primeiras a tomar posição. De acordo com o New York Times, "este tipo de recolha, tão abrangente, altera o objetivo da recolha de ADN no âmbito da investigação criminal para a vigilância da população, o que é contrário aos nossos princípios de uma sociedade livre e autónoma".

Até porque, recordam os mais críticos, as informações de familiares dos imigrantes também ficam expostas e, em muitos casos, falamos de pessoas com autorização para estar no país ou até de cidadãos norte-americanos. Ou seja, a medida vai afetar milhões de pessoas e, entre elas, estarão casos de quem não tenha cometido qualquer delito.

De acordo com o New York Times, a medida deverá estar em vigor já no início do próximo ano.

De polémica em polémica

Esta tentativa de apertar o controlo aos imigrantes vem de encontro a tudo o que Donald Trump tem feito desde que é presidente. Recorde-se que há pouco tempo os EUA chocaram o mundo ao separarem crianças dos pais.

A piorar a situação está o facto de a publicação garantir que, durante uma reunião, Trump chegou mesmo a considerar colocar valas com cobras ou até mesmo balear os imigrantes ilegais. Ainda que Trump tenha negado, a ABC News veio reforçar a informação divulgada pelo New York Times e garante mesmo que a ideia era balear os imigrantes nas pernas para poder atrasar a chegada a solo norte-americano.

Importa recordar que a construção de um muro entre os EUA e o México para impedir a entrada de imigrantes foi outra das medidas mais polémicas de Trump. No entanto, nem só de críticos se faz esta história e foram exatamente algumas destas medidas que levaram Donald Trump à vitória.

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