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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Presidente angolano João Lourenço saúda eleição de Daniel Chapo

João Lourenço afirma estar seguro que a vitória de Daniel Chapo "traduz a vontade e a esperança do povo moçambicano".

25 de outubro de 2024 às 19:55

O Presidente angolano, João Lourenço, felicitou esta sexta-feira Daniel Chapo pela sua eleição para a Presidência de Moçambique, em resultado da vitória alcançada nas eleições realizadas no passado dia 9.

Na sua mensagem, João Lourenço afirma estar seguro que a vitória de Daniel Chapo "traduz a vontade e a esperança do povo moçambicano".

O Presidente de Angola aborda igualmente na mensagem os "atos que pretenderam manchar o exemplar processo que resultou na eleição" de Daniel Chapo e manifesta a sua "expectativa de que as autoridades moçambicanas se empenharão firmemente na punição exemplar dos seus responsáveis".

Por último, o Presidente João Lourenço sublinha querer trabalhar em conjunto com Daniel Chapo "para fortalecer cada vez mais os laços históricos de amizade e de cooperação que unem Angola e Moçambique, em benefício do progresso e do desenvolvimento das duas nações".

O anúncio na quinta-feira da vitória do candidato da Frelimo, pela Comissão Nacional de Eleições moçambicana, reforçou os protestos populares espoletados dias antes pelo candidato Venâncio Mondlane, apoiado pelo Partido Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos, extraparlamentar), e que contestam a alegada fraude eleitoral que resultou na vitória de Daniel Chapo.

A CNE moçambicana anunciou na quinta-feira a vitória de Daniel Chapo (Frelimo) na eleição a Presidente da República de 09 de outubro, com 70,67% dos votos, resultados que ainda têm de ser validados pelo Conselho Constitucional.

Venâncio Mondlane, apoiado pelo Podemos, ficou em segundo lugar, com 20,32%, totalizando 1.412.517 votos.

Na terceira posição da eleição presidencial, segundo o anúncio da CNE, ficou Ossufo Momade, presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), até agora maior partido da oposição, com 5,81%, seguido de Lutero Simango, presidente do Movimento Democrático do Moçambique (MDM), com 3,21%.

A Frelimo venceu ainda as eleições legislativas, reforçando a maioria parlamentar, passando de 184 para 195 deputados, e elegeu todos os governadores provinciais.

O anúncio dos resultados feito na quinta-feira pela CNE aconteceu no primeiro de dois dias de greve geral e manifestações em todo o país convocadas por Mondlane contra o processo eleitoral deste ano, que está a ser marcado por confrontos entre manifestantes e a polícia nas principais avenidas da capital moçambicana.

Mais de 300 pessoas foram detidas, segundo a polícia, e nas ruas e bairros de Maputo, a capital, era visível esta manhã o rasto dos confrontos com os manifestantes que saíram às ruas queimando pneus e cortando avenidas, com forte resposta policial, com blindados, equipas cinotécnicas, lançamento de gás lacrimogéneo e tiros para o ar.

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