De entre as manias dos Homem, que foram muitas ao longo da história documentada ou transmitida de geração em geração, nunca constou a hipocondria. Para Dona Ester, minha mãe, a farmácia mais adequada compunha-se de iodo, areia das praias do Minho, água fria e um Verão vivido com certo desprendimento. No entanto, esse optimismo crónico não era comum aos cavalheiros da família, para quem as doenças faziam parte “de um certo estilo”. O velho Doutor Homem, meu pai, nutria um certo afecto pelas doenças triviais: problemas nas articulações, um pouco de hipertensão, gota ou fígado. Era o luxo da meia idade. Mas não atrapalhavam – longe disso – o destino a cumprir nem a finalidade de uma vida inteira. Limitavam-se a fazer parte do próprio destino.
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