Depois da morte de John Le Carré (em 2020) sabia que George Smiley, o seu personagem mais amado, tinha definitivamente desaparecido. Vai reaparecer, não porque Le Carré tivesse deixado um manuscrito até agora desconhecido e escondido nos seus papéis, mas porque um escritor de thrillers de ficção científica, Nick Harkaway, vai escrever uma história do mais melancólico dos espiões britânicos. Na verdade, Harkaway tem quase tudo para o fazer; o seu nome verdadeiro é Nicholas Cornwell, filho de John Le Carré, ou seja, de David Cornwell, o verdadeiro nome do escritor - e deve ter em casa todas as fontes para estabelecer a biografia definitiva de Smiley. A história passa-se algures entre ‘O Espião Que Veio do Frio’ (1963) e ‘A Toupeira’ (1974), ou seja, em plena Guerra Fria, o território natural dos espiões e da dissimulação. O renascimento de Smiley não é só um acontecimento ‘literário’; é uma necessidade, em tempos de perda e de falta de compaixão na política e nas nossas vidas. Smiley salva-nos um pouco.
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